Biografias não autorizadas.
No Brasil a
Justiça autorizou a realização de biografias não autorizadas, eu
não concordo nem discordo até porque essa discussão já é
ultrapassada, eu aceito. O que é preocupante é a má qualidade dos
trabalhos que podem vir, tenho assistido algumas "cine biografias" que
são mais um mar de fofocas, mais ofendem do que exaltam os
biografados. Vale mais o ser que viveu ou vive uma história do que a
escrita feita por um biógrafo. Porque essa necessidade quase mórbida
de querer saber tudo sobre o outro? Como alguém vai escrever sobre
alguém que não conheceu? Bons biógrafos são raros, então
acredito que vai haver uma enxurrada de textos ruins que lotarão um
mercado já desgastado, uma vez que quase ninguém mais compra livros
e os bons biógrafos continuarão fazendo bons trabalhos. As pessoas
que se tornam importantes correm o risco de perder sua privacidade,
de se tornarem um personagem. O mundo precisa de ídolos nem que seja
só para apedrejar, é parte do jogo. “Aquilo que amamos com
violência acaba sempre nos matando” Guy
de Maupassant, no conto A Noite. Liberdade com responsabilidade será
o fiel da balança nesse caso, se difamadores se tornarem biógrafos
a justiça terá uma avalanche de processos, mas muito provavelmente
nada vai acontecer devido a crise que estamos passando, quem ainda
compra biografias? Está tudo na internet. “Cuidado com a fama, que
a fama difama” essa frase é de um antigo fado, logo o tema não é
novo e sempre foi controverso. O problema no nosso país é a falta de
compromisso com a verdade e a ética. Temos um certo fascínio por novelas e
escândalos o que pode levar a histórias fantasiosas e cheias de
“detalhes” sórdidos, que todos somos humanos. Para a liberdade
de expressão foi bom, só que o que significa:“liberdade de
expressão”?
Fernanda
Blaya Figueiró
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