Poemas para mim


Poemas para mim
Criei um blogue limitado e foi muito bom, voltei a trabalhar publico aqui algo deste novo momento. Crio supostos limites para meu texto para poder superá-los e para ter a sensação de que será diferente. Não será, mas é bom imaginar que é um texto novo, livre.
Vamos ver no que dá

A alameda

Não há sinal de quem plantou a alameda, um corredor de pinheiros que não se sabem nem se álamos são, a boa terra serve de base para uma terrível camada de asfalto. Quantos pés de trigo, feijão, milho, quanta rês passou por aqui? De onde vinha e para onde ia a longa alameda? Eu não sei. Porque pensar nela então? É como a vida. Se arrancarmos todo o asfalto em breve o solo germina, vive, renasce, as pessoas estão vivendo de reminiscências, estão se alimentando de passado, se autoflagelando porque alguém disse que a vida seria assim, um vale de lágrimas, um abismo profundo. Um  temor eterno, não faça isso, não crie laços, não deixe mensagens. O mundo é um perigo. É o perigo pelo qual devemos passar até que um dia ele termine, não provoque a má sorte. Não chame a desgraça. Não pense assim. Aceite, aceite, aceite. A estrada continua na próxima curva sem mim? O que venho fazendo, um monólogo. Um extenso monólogo. As pessoas estão nutrindo as suas mazelas e isso é assim. Não há tanta patologia no mundo há um descaso, uma falta de misericórdia, de bondade. Ou uma bondade desgastada e deturpada. o que é ser hoje uma boa pessoa? Uma má pessoa? Você dirá, se chegou até aqui, que essa pergunta não faz mais sentido. Direi que faz sim, uma grande parte da humanidade está como "cão sem dono" em busca de algo para viver. Um bocadinho de drogas, uma luta qualquer. Você dirá sempre foi assim. Eu responderei mas essa é minha hora de ser e estar aqui, posso repetir todas as perguntas, explorar todas as possibilidades das palavras, viver todas as sensações que estou aqui para ter, medo, ódio, amor, raiva, revolta, de ser justo ou injusto, de ser hora boa pessoa, hora não. Em nosso perdido país as pessoas estão decaindo dia-a-dia, estão presas a promessas erradas. Que país é esse? Que pergunta é essa? Todos estão iguais, algo está tentando igualar em mediocridade as nações, reduzir a nada a  história. Colocam os piores elementos nas mais graduadas ocupações e esperam que sejam corrompidos e eles são, ou coniventes, eles também o são.
Alameda é esse espaço onde desfila a miséria, a grandeza, as coisa da humanidade.
Na alameda vive um velho homem que todo o dia vai até a ponta do asfalto e anda com as mãos para trás das costas, tem o corpo magro, o cabelo negro, um legítimo Preto Velho, vivo, andando, Vivo? Sim. Tem certeza? Pouca. Camiseta, abrigo, alpargatas, está ali a mais de quatro séculos.  Caminha, olha e vê. Nós os outros não ele passamos, olhamos e vemos, será a mesma paisagem? Essa gente esnobe que anda roubando o povo se acha superior. Superior a que, a quem? Se acham muito espertos. O mundo é dos espertos, dos rápidos, dos astutos. Será? O mundo é o pouco tempo que temos para ser. Se eles roubaram era porque assim tinham que fazer, talvez para derrubar a fragilidade de todas as coisas, sangrar, eliminar as toxinas. Agora precisam pagar pelo feito, foram descobertos, foram pegos. O que vem depois? \vem outros eles. outros mesmos, outros tempos.

É preciso

Desprender dos sonhos

Os sonhos podem estar
Criando uma sociedade falsa

Todos sonham alto e ninguém mais
Quer viver na Terra
Nas coisas cotidianas

Sonhamos que teríamos um País
Bom, seguro, sem as terríveis diferenças que existem

Capitalismo,socialismo,comunismo
Fracassaram

Os mestres que pensaram esse único
Sistema
Estavam errados.

E agora, o que vem depois disso?

A expectativa

O mundo está tão egocêntrico que as pessoas
Querem que os outros sejam quem eles querem
Não quem eles são

E daí se o outro não é como você quer?
E você?
Quem é você?

Quem você espera ser?

Ou quem você queria ter sido?

Conversa com um outro mundo

Minha imaginação é muito fértil, as vezes assustadoramente criativa e os
Outros Mundos são atrativos

Como se
Estivesse em uma jornada de desligamento progressivo da realidade

Ficar conectado, como andei nestes tempos de hedionda política me faz mal

Faz mal ao sentido maior da minha existência
Que há
Pode crer um sentido além dos sentidos.

Algo mais nobre e elevado

Como chegamos lá

Nos desvencilhando da crueza deste mundo maligno

Apostila
Fernando Pessoa sobre o tempo sobre o que significam velhas máximas

Ele podia porque podia
Não se ocupava do leitor do leite
e ao mesmo tempo estava inserido nesse mundo
"é tão difícil ser honesto e superior!"

Não é necessário ser superior. O ser superior é ilusão
Ser
Ser só basta

Há uma besta andando por aí e dai?
sempre houveram bestas

Há uma lunática caminhando entre os símbolos e daí

"Sim, verbalismo"
"Ah, deixem-me não aproveitar nada"

Os mestres também se debatiam sobre a inutilidade dessa antiga arte
de sonhar acordado
de escrever para dar sentido ao Mundo

Uma palavra, uma sentença, um pensamento.

Não adianta, mestre, aproveitar o Tempo
Sempre estivemos aqui e continuaremos estando

Quando percebemos as coisas elas já aconteceram.
Já a minha derradeira já está em andamento como a de
qualquer ser

É estupidez tentar passar isso para os jovens que se alimentam de
Suas misérias, consumindo seu belo tempo de ser
Com a dor.

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