O que pensar sobre a
aparente “não mudança” na Petrobras?
Não entendi muito a
reação do Mercado ao nome do novo diretor da Petrobras, uma amiga
minha escreveu indignada com a escolha. O que pensar? Um lobo no
galinheiro ou uma solução? Não sei. Meu pai me disse que quando o
Império caiu o BB foi saqueado, o Rei levou o que pode para
Portugal, que lá estaria a explicação do modo de agir dos nossos
governantes. Confiança. O que me incomodou um pouco foi o que a
imprensa falou que ele seria um homem de confiança da presidente
Dilma, isso deixa a pulga atrás da orelha, seria para manter o
controle e dar continuidade ao que já vinha sendo feito? Acho que
todo mundo merece um voto de confiança, ninguém quer ver o Brasil
e a Petrobras em maus lençóis, precisamos manter a calma. A polícia
vai manter as investigações e internamente a empresa precisa
trabalhar forte para recuperar a autonomia. É muito séria a
situação em que foi colocada, quantos empregos estão em jogo,
quantas empresas e quanto dinheiro? Um presidente da área financeira
pode sanar os problemas de caixa, pode dar um rumo mais competitivo e
eficiente a empresa. Se é um cidadão de bem? Isso o tempo irá
mostrar e acredito que terá que ser avaliado constantemente nos
próximos meses. Os passos da empresa deverão ser acompanhados de
perto, para que não volte a acontecer o mesmo esquema, que é muito
antigo e levou as fraudes constatadas. Ele será os olhos do PT na
empresa e isso é algo preocupante. Uma solução diferente só com
um novo governo, essa intromissão do Estado nas Estatais é um
problema que não vai mudar no Brasil. Privatização? Na telefonia
funcionou, apesar do preço dos serviços, ou estaríamos ainda no
modo de operação analógico, na Água e luz nem tanto. Acho que a
leitura sobre a reação do Mercado é de desconfiança. Acredito que
uma desconfiança na gestão do país, na capacidade de reverter a
situação. A presidente terá que convencer as pessoas de que tomou
uma decisão acertada, o problema está no desgaste de sua imagem
como chefe maior do Brasil. Esse senhor, que não conheço, deverá
convencer os acionistas, grande parte o povo brasileiro, os
colaboradores, funcionários que irá fazer uma boa gestão. Essa
nova CPI ou CPMI deverá ser muito séria para apurar e punir os
corruptos. As auditorias e fiscalizações que vem sendo feitas terão
que continuar e apresentar relatórios, dar transparência e dados
reais sobre a empresa, que pode inclusive valer muito mais do que se
imagina. Pasadena? Como fica? Os outros empreendimentos desde período
o que vai ser feito com eles. A empresa irá expandir ou encolher?
Uma coisa é certa vai faltar cela e presidio para tanta prisão que
está sendo noticiada. A situação é grave e as paixões estão nos
tomando de assalto. Pensamos: mas como as coisas ficaram assim? Acho
que se o PT hoje fosse oposição e não situação já estaríamos
enfrentando um processo de impeachment, com pessoas nas ruas. A
impressão é de que todos estão apreensivos, mas ninguém quer uma
crise maior ainda da que já está acontecendo. Um pensamento começa
a assombrar o povo: será que a única solução seria uma “bomba
atômica” em Brasília? Não, isso é coisa de terrorista e nós
não pensamos como terroristas, ainda bem. Uma solução vai
aparecer, será diplomática, será legal e será inteligente. Nós,
povo, precisamos agora aguardar. Enquanto a presidência da Petrobras
for ligada a uma decisão política veremos os mesmos nomes e uma
dança das cadeiras. Ainda tem a ação do Judiciário, do
Legislativo, esses poderes talvez voltem a ser como deveriam:
independentes. Ceder a pressão do Mercado? Não sei se adianta. O
povo, se de fato estiver indignado, vai se mobilizar e exigir a troca
de governo. Acho que estamos nas cordas, apanhando e ainda não
conseguimos entender de onde vem o próximo golpe, não sabemos o
tamanho do estrago se vamos ver a lona ou não. O Brasil está
mudando sem mudar verdadeiramente, as pessoas estão apegadas a
realidade com medo de que algo muito pior venha pela frente.
Fernanda Blaya Figueiró
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