Gerados para o crime? Divagações...
Nesta semana dois menores de idade seqüestraram, roubaram,espancaram e mataram um fisioterapeuta, uma coisa que já é quase uma rotina em nosso país. Os menores serão “internados” na Fase, provavelmente em dois ou três anos estarão novamente na rua. Venho abordado o impacto que a violência urbana e a corrupção tem na nossa economia, como a sociedade brasileira decaiu rapidamente. O aumento da influência do tráfico de drogas, dos assaltos a bancos, a carros, a pessoas, a residências, da corrupção política está corroendo as estruturas da sociedade. Já devem ter duas ou três gerações de brasileiros que cresceu à margem completa do sistema, pessoas que nasceram “nas ruas” que aprenderam a estética das ruas, os valores, as regras marginais. A economia informal já responde a mais ou menos 18% do PIB, isso é preocupante pois parte desta “economia informal” usa mercadorias contrabandeadas e drogas. Claro que tem o empreendedor individual, honesto que achou uma forma de sobreviver prestando serviços domésticos, produzindo doces, lanches, lavando carros, etc... A escola não consegue mais formar bons trabalhadores, as aulas são poucas, não tem continuidade e o professor muitas vezes não acredita na capacidade do aluno de mudar o próprio destino. O tráfico de drogas e os outros crimes estão absorvendo a mão de obra por serem mais atrativos, um menino que usa uma arma aos quatorze anos para roubar mil e quinhentos reais, um carro e matar uma pessoa não vai sair da Fase e ingressar no mercado de trabalho, não vai agüentar um chefe, ter horário para entrar e sair. Ele muito provavelmente volte para o tráfico ou vá parar nas ruas, foi educado pra isso. Como mudar essa situação? Primeiro os políticos teriam que parar de roubar e usar o dinheiro do povo a favor dele e não contra, porque políticos, traficantes e algumas religiões precisam, para sobreviver, que esse “sujeito”, infrator de nascimento, exista. A nossa sociedade lucra com o medo, só que aqui foi ficando tão grande a distância que está perdendo o controle e a própria eficiência, se ninguém mais produzir não haverá o que ser roubado. Não haverá para quem vender produtos, informação, drogas, reza. Se a estagnação for se instalando e os números da economia informal superarem a formal quem vai pagar pelas drogas? Se não houver empresas não haverá mais empregos, neste caso o tráfico não vai conseguir absorver toda a demanda, mais e mais violência vai acontecer, vai ser cada vez mais barato o trabalho para a morte, e esse colapso leva a guerra. Esta semana postaram uma fotografia de um “grupo armado” que estava infernizando a vida de uma comunidade. Armas, rostos cobertos, atitude arrogante, quase a mesma estética das fotografias do Estado Islâmico, só que sem o fator agravante religião. Um bando de jovens prontos para matar ou morrer. Porque a morte faz parte da realidade deles. Quanto pessimismo dirão alguns, principalmente militantes do governo, mas é preciso reagir logo, algo precisa mudar, algo precisa ser feito, intelectualmente, para modificar a realidade. E é possível mudar o curso das coisas, alguns gritarão é culpa do capitalismo, outros do socialismo moreno. De teorias mal aplicadas. Teoricamente estamos próximos de uma Reforma Política, qual é a função do Estado na atual conjuntura? Poque aceitamos a continuidade de um governo que se mostra totalmente ineficiente e corrupto?
Legalizar drogas, aborto, contrabando vai resolver alguma coisa? Esses mercados da morte movimentam quanto, onde o dinheiro destas cadeias do crime vai parar, que relação tem com os políticos? Que praga se abate sobre nós? Seca? Seca? Normalmente as adversidades vem para melhorar a ação do homem, sua relação com a natureza. Talvez seja preciso derrubar alguns edifícios e devolver a floresta. Um pouco acho que é o Planeta Vivo, mais do que a ação do homem, estamos fincados em lugares vivos que mudam. A Classe média está ameaçada de todos os lados, a maioria pode sim ir parar nas ruas, sem água e sem futuro. Os governos acabaram com as comunidades.
Fernanda Blaya Figueiró
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