Estamos nos sentindo sujos.

Estamos nos sentindo sujos.

Nós brasileiros estamos nos sentindo sujos, envergonhados, culpados, nem todos é lógico, principalmente os que deveriam estar, por causa da corrupção e violência. Iniciei vários textos e deletei, isso é uma vontade de não comentar, de não se sentir um idiota, “eu é que não me sento no trono de um apartamento, com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar”Raul, mas assim que estamos nos sentindo diante do que o país se tornou e na memória do que ele deveria ter se tornado. “Rir é bom, rir de tudo é desespero”, acho que é Cazuza. Outras grandes nações já passaram por isso, um degredo antes de uma purificação... Uma vez comentei com uma amiga que acho que tenho depressão desde que nasci, com momentos brandos e outros mais profundos e ela me perguntou “Mas isso nunca te incapacitou?” Acho que conhecer ou vivenciar momentos de pensamento mais depressivo me capacitou para ser quem eu sou, para estar onde estou, é parte de quem sou. Estou com uma filhotinha em casa Maroca, é uma espoleta, virou a casa de ponta a ponta. Rói as meias, pega os sapatos, destrói o jornal, corre alucinada de um lado para outro. É um filhote, age como filhote, é alegre, não tem medo, não conhece o perigo. Se fosse uma criança e estivesse numa creche talvez tivesse tomando remédio para acalmar. Será que muitas das nossas crianças não estão sendo medicadas sem necessidade, como as próteses e cirurgia feitas desnecessariamente atendendo a um mercado clandestino? Fora a maturação artificial do crescimento de alguns, são como frutas de estufa crescem logo, ficam perfeitas, mas fenecem assim que saem da estufa, não estou julgando mães, pais, professores, avós, estou propondo um diálogo. Eles tem responsabilidades de mais quando pequenos, são cobrados de menos no período da infância, infantilizados na adolescência, adolescidos na idade adulta. Negam o envelhecimento. Drogados desde pequenos, viciados em pílulas mágicas para tudo. Como evitar que enveredem para o mundo das drogas? Imaginem a apreensão das mães e pais ao ver a sociedade poluída assim. Mas eles são “Índigos”, são especiais, já nascem conectados, será? Tudo no mundo está conectado, esse período feio do Brasil vai ficar marcado na nossa memória, como um tempo de insegurança, de medo de que a realidade piore. Alguma coisa precisa mudar profundamente para superarmos os nossos problemas, não tem atalho. Estamos cansados de acreditar e sem fé nada acontece. Se as regras do jogo estão impossibilitando que a partida continue é preciso mudar. Diminuir a responsabilidade dos bebês, ensinar as crianças, dar a jovem um futuro real, responsabilizar e corrigir o adulto, acalmar o idoso. Capacitar as pessoas a serem quem podem ser, na hora certa. Somos parte da corrupção, somos parte do mundo. Ela está muito próxima.


Fernanda Blaya Figueiró 

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