Urubu na carniça: Chuva no sul, seca no centro do país.

Urubu na carniça: Chuva no sul, seca no centro do país.

Estamos vivendo uma chuvarada medonha aqui no Rio Grande do Sul, já no centro do país a seca atormenta a vida na cidade e no campo. Acabo de reler um antigo poema meu, alguém em alguma parte dos Estados Unidos acessou este post (não sei quem são meus leitores mas com certeza não são brasileiros), fala sobre a seca e a  dificuldade de manter a propriedade rural. Quem tem uma pequena propriedade rural está cercado por um lado pelos Petralhas( apelido dado a alguns  políticos do PT que viram Irmãos Metralhas, os bandidos da Disney) e por outro pelos Tubarões ( grandes proprietários que estão comprando tudo o que podem). Uns supostamente querem a Terra para “distribuir” entre seus comparsas, os outros para acumular. Nesse mar quem parar afunda, só tem duas opções:vender para não perder ou crescer e virar um tubarão.

Não foi nada fácil
Sobrevivemos a invasão dos Espanhois +- 1700
A dos castelhanos
A todas as antigas revoluções
A todas as crises financeiras
A todas as enchentes e secas
Aos comunistas
Aos políticos corruptos de todos os tempos
Aos tubarões
Ainda estamos aqui
Não pise no nosso pala
Esse é o povo gaúcho!!!
Xô, urubu!!

Fernanda Blaya Figueiró



Meu antigo poema:


Como a seca

as múltiplas faces 
da sociedade
da saciedade

nada de novo
no horizonte
estamos quase
no final do
segundo mês de
um ano muito esperado

vivemos uma seca
das mais antigas e
a colheita vai ser fraca
a velha tradição do dinheiro e
propriedade mudando de
mãos

as gentes que anseiam pelo fim
do capitalismo estão contentes
como se iludem
um sistema tão sólido não
há de cair tão facilmente
sem resistência
sem dor e sangue

ao que tudo indica o
dia que acabar
será substituído por algo
tão ruim quanto
ruim para uns
bom para outros

estéril para uns
fértil para outros

não tem como ser bom
para os interesses de todos
como a seca

Fernanda Blaya Figueiró
19 de fevereiro de 2012 





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