Uma Figueira. Duas Revoluções. Uma antiga casa .

Visitei esta semana, com os amigos do Fórum Permanente de Viamão, a casa de Dona Ireda Medeiros, ela nos contou várias pequenas memórias de sua família, que se fundem com a história de Viamão. Uma de suas principais queixas é de que sua rua que sempre se chamou  Luiz Rossetti em homenagem ao lendário herói farroupilha, há pouco tempo foi parcialmente renomeada em homenagem a um querido cidadão da cidade, Jorge Calil Flores, seu endereço mudou e um pouco da importância da Figueira que habita sua propriedade também. Segundo os relatos de seu falecido pai, Teófilo Aquino Medeiros, uma importante parte da história do Rio Grande do Sul aconteceu bem naquele ponto, que teria servido como acampamento para os revolucionários farroupilhas e teria sido o local onde tombou Luigi Rossetti . Viamão conta com outros locais também vinculados à memória deste personagem da nossa história. Segundo o relato de Dona Ireda, haviam três figueiras daquele período e hoje só resta uma e é belíssima. Não conseguimos fotografá-la pois nosso passeio foi à noite. A figueira antiga, mesmo sem ter se movido, trocou de endereço. A poucos metros de suas poderosas raízes fica a antiga residência de Dona Ireda, hoje fechada devido a ação do tempo e dos cupins. Sua propriedade é bastante grande, mas a casa antiga desperta lembranças de uma outra revolução: a de 23. Conta a lenda que os antigos proprietários teriam sofrido represálias, não se sabe se de Chimangos ou de Maragatos, mas que teriam partido da cidade, sem olhar para traz... Dona Ireda disse que a casa pertence a sua família desde 1943, ou seja provavelmente tenha sido construída no início do século passado. Informou que uma vez tentou buscar o tombamento, mas que soube que a preservação do imóvel é de responsabilidade do proprietário e na época de sua consulta não havia subsídio para a obra. A casa está com o telhado caindo e teve seu terreno recentemente desmembrado, colocou a venda e logo após retirou. Teria como a cidade adquirir a casa para preservá-la? É importante? Por sorte Dona Ireda é uma pessoa iluminada assim como seus familiares e toda essa bela lembrança ainda vive. Atualmente o centro de Viamão vive o boom imobiliário, as propriedades estão valendo bastante. Mas quem sabe se com um bom projeto cultural essa memória consegue ser preservada? Tenho comigo uma crença: “ As coisas acontecem como tem que ser”... Vamos jogar essa ideia no vento e deixar que o tempo ajude que o Universo responda.

Fernanda Blaya Figueiró








 

Comments