Qual é o ponto?
A
campanha a presidência no Brasil está divertidíssima. Ontem o
debate chegou a Direitos Trabalhistas, FGTS não é problema, férias
remuneradas, muito menos, décimo Terceiro Salário, qualquer
empresário paga com gosto. Então o que precisa mudar?Flexibilidade
e confiabilidade na legislação. Os atos de admitir e demitir são
muito complexos, para demitir o empregador deve pagar uma multa e a
lei permite ao empregado que saque o FGTS, já se o empregado se
demite perde a referida multa e fica com o fundo retido, isso leva a
um jogo de empurra-empurra em que o empregado fica no emprego preso a
possibilidade de ganhar a multa e o empregador fica com um
funcionário ineficiente para não ter que pagar a multa, ou demite
rapidamente para evitar custos trabalhistas. Além de que não há
segurança quanto ao que a empresa deve pagar no caso do empregado ir
a justiça, não há um cálculo seguro de risco. Para o empregado não
há a segurança de que a empresa é sólida, não sabe se pode
investir em sua permanência ou se deve buscar uma nova colocação.
As relações trabalhistas mudam de Getúlio Vargas para cá, se o
Brasil não modernizar sua forma de entender o trabalho vai acabar
com as empresas e logo com os empregos. Funcionalismo Público é
outro grande problema, depois de dois anos no cargo o funcionário
concursado ganha estabilidade no emprego, será que isso é saudável
para as instituições? Competente ou não, produtivo ou não a
pessoa passará mais trinta e três anos no cargo. Feliz ou não, e a
grande maioria logo fica entediada e sem perspectiva de melhorar, sem
necessidade de melhorar. Os serviços públicos acabam tendo que ser
substituídos por privados, o trabalhador seja da iniciativa privada
ou funcionário público tem que colocar os filhos em escolas
particulares, contratar plano de saúde, pagar segurança privada,
pagar pedágio, entre tantos serviços que o Estado poderia garantir.
As empresas também. Então o brasileiro trabalha muito para manter
um elevado custo de vida e a sensação é de que há uma inflação
maior do que a real porque sobra pouco dinheiro ao final do pagamento
de todos os compromissos mensais, que incluem habitação cara, taxas
de luz, água, impostos, seguros... Dinheiro para poupar então é
uma raridade. Insisto não sou especialista em nada, só uma
observadora, mas dizer que nada deve mudar é tapar o sol com a
peneira. Enquanto isso os escândalos explodem e a sensação é de
que não tem solução. Um dos diretores da Petrobras, que depôs na
CPMI ontem, simplesmente ficou calado, há especulações de que entregou
políticos para a polícia e fica calado, em plena campanha
eleitoral, brinca com as autoridades, ri do povo, faz chacota com
seus atos de corrupção. A “intelectualidade” brasileira aceita,
porque não quer admitir que errou. Errou ao apoiar cegamente os
governos de esquerda, como se tivessem o direito de desviar dinheiro
público para partidos e para seus bolsos. Como se por terem sido
caçados na “ditadura” ganhassem o carimbo de “boas pessoas”;
e se a Revolução de 64 tivesse razão? O que foi feito com a
“democracia” restabelecida: um aparelho para que a esquerda
enchesse os bolsos e os cofres. Quem cala consente. Ao calar ele
disse a sociedade: “não posso falar porque a verdade é muito pior
do que vocês imaginam”. A Petrobras foi saqueada? O Povo
Brasileiro foi enganado? Que tapete enorme para cobrir tanto lixo.
Apesar de tudo acho que a Economia não é o problema do Brasil e sim
a falta de confiança nos governos e na própria justiça. É uma
crise de falta de confiança. Guido Mantega foi frito para enfumaçar
a visão do eleitor. Uma outra questão que eu ainda não ouvi
ninguém abordar: BRICS. Como será esse alinhamento com Rússia,
Índia, China e África do Sul? Se por alguma fatalidade um dia o
Brasil não conseguir pagar as parcelas do Fundo Internacional ou
cumprir com suas obrigações para com o Banco de Desenvolvimento,
isso gerará Dívida Externa? Esse alinhamento nos torna “inimigos”
dos outros países Americanos, Europeus, ou resto do mundo? Porque uma agenda de
tal envergadura está fora do debate político? Porque o silêncio?
Parece igual ao do depoente de ontem?
Fernanda
Blaya Figueiró
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