O que me preocupa na
atual eleição?
O futuro.
O futuro
do pais me preocupa um pouco, a história da humanidade parece ser
uma sucessão de ascensão e queda de impérios, uma sucessão de
conquistas, vitórias e derrotas. Mesmo o Brasil, que nunca foi um
império, passou de “mãos em mãos” uma história de golpes e de
luta pelo poder, a última grande foi há cinqüenta anos, quando
militares de “direita” derrubaram militares de “esquerda”,
alguns civis foram combatidos outros mantiveram a ideologia vencedora
e foi instituída uma ditadura por vinte anos. Agora a ideologia de
“esquerda” vem prevalecendo via voto direto, se o mesmo partido
se reeleger vai para o quarto mandato seguido, uma nova seqüência
de vinte anos. Acho que a “esquerda” manteve o pensamento
neoliberal, mas deixou muito da infra-estrutura para trás, não
soube controlar a violência urbana, não conseguiu educar bem a
população, acho que os programas assistenciais são importantes mas
geram um tipo de dependência, que mantém a população sem buscar
alternativas novas, sem vontade de progredir. Não vejo ninguém
defender uma postura mais globalizante, porque os meios acadêmicos
parecem condenar essa ideologia, mesmo sendo uma realidade: o mundo
está globalizado. O discurso anti-imperialista da esquerda
brasileira foi substituído pelo discurso de que qualquer ato é
valido se for “pelo bem do partido” pelo bem do “proletariado”,
então a corrupção se instaura em governos, em sindicatos, em
empresas, em nós cidadãos comuns. “Não a repressão”, como se
reprimir fosse muito errado, mas por baixo dos panos a violência
impera, contra a população pobre. Abaixo o capitalismo, outro
jargão de “esquerda”, viva a “ditadura do proletariado”.
Atos errados precisam ser reprimidos, não pode ser com tortura, com
violação dos direitos humanos, mas podem e devem ser reprimidos. A
eleição para presidente polarizou entre a “Esquerda de Dilma” e
a “Esquerda de Marina”, ambas pupilas de Lula; a“Esquerda
Moderada” de Aécio Neves parece estar quase fora do páreo. Esses
partidos que dizem ser socialdemocratas, agem como capitalistas
paternais, parece que não sabem o que fazem. Isso é o que estou
percebendo, pode não ser uma verdade. Admiro muito os povos Russo,
Chinês, Indiano e Sul Africano, mas essa aproximação com eles,
neste momento, aliado a amizade da esquerda brasileira com Cuba, me
assusta. O poder que essa aliança parece formar, mesmo sendo
inicialmente só uma aliança comercial, mas que deve em breve se
tornar ideológica, territorial... Como se fossemos ser colonizados
novamente. Será bom vender para a Rússia, sim. Será bom comprar da
China, sim. Será bom ter mais um banco internacional, sim se
mantiver a autonomia e a soberania dos países associados e se não
gerar um elefante de dívida externa e de intervenção de outros
países aqui. Que partido defende a ideologia capitalista hoje? Só
lembro do PP, tem alguns outros pequenos partidos. Se estamos numa
democracia não pode um só discurso ser aceito, é preciso respeitar
a fala do outro, e entender os períodos históricos com
distanciamento e sem paixão. É sim preciso combater os terroristas,
mesmo que a esquerda brasileira um dia tenha sido considerada assim.
Neste tempo não pode o mundo permitir que matem pessoas a
torto e direito, que sequestrem... Acho que eu não deveria ter
escrito esse texto, não queria pensar em eleição, nem escrever
sobre, mas seria como aceitar que não vale nada.
Fernanda
Blaya Figueiró
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