Conto:
Laksha e sua flor
Hoje
recebi um postal que minha filha havia mandado de “Lech” na Índia
e minha surpresa foi ver o selo, Madre Tereza de Calcutá é a pessoa
homenageada. Nunca imaginei a Universalidade de sua figura, como o
Mundo precisa de boas pessoas como ela, de amor verdadeiro . Estava pensando em escrever
uma historinha para a boneca que ganhei e essa imagem me
ajudou muito.Não sei se chega a ser um conto mas publico como se fosse.
Laksha e sua flor
Há
muitos e muitos anos atrás, num lindo e distante lugar vivia uma
princesa chamada Laksha, ela era muito amada. No seu primeiro
aniversário ganhou de seu pai o Maharaja Mohandas uma linda cor de
rosa flor, de magnitude indescritível; quando a flor feneceu
Maharani Madhavi, sua mãe, colocou-a no centro de uma linda
pashmina e revestiu toda com pêlos de cabra. A peça, única no
mundo, acompanhou a menina por toda a vida. Essa antiga história
pertence ao mágico mundo dos contos inventados, nunca se sabe bem se
existiram mesmo e são soprados nos ouvidos das escritoras e
escritores, ou se são de fato inventados. Pois, veja bem, nunca
estive nas terras do Maharaja Mohandas , nem conhecia a sua linda
família, muito menos posso dizer que a história é verdadeira. O
tempo passou, passou e passou. Hoje não há mais pequenos
principados, só grandes nações. Laksha é só memória, os
principados lembranças e os Maharajas tornaram-se pequenos bonecos
vendidos aos turistas do mundo todo. O Mundo mudou e não mudou. Os
povos se entrelaçaram e trilham diversas paisagens, histórias.
Hábitos e costumes dos tempos antigos são encontrados em todas as
costas de todos os oceanos, das mais longínquas florestas e
desertos aos pontos mais povoados das grandes cidades, olhos
amendoados e escuros cruzam com olhos azuis, amarelos, negros ou
dourados. Traços ocidentais, orientais, de todos os povos e etnias
transitam em embarcações, das mais modernas as mais antigas. Tudo
mudou, sem mudar. Num destes andares pelo mundo um velho arqueólogo,
que escavava um novo sítio descoberto pelo vento, uma pashimina encontrou. Oh!! Vocês já devem saber de que mágico objeto estamos
a tratar: a cor de rosa flor no centro bordada, o coração do homem
fez disparar. Quem teria o objeto bordado? Quem seria o dono de tão
belo castelo e a quem pertenceria a antiga memória? Entre camelos,
pás e sacolas o homem sentou com a peça deslumbrante entre as mãos.
Não compreendia a luz que ela emanava. Não conseguia descrever a vibração que havia no ar. O povo local olhava para tudo com
profunda admiração. Houve nesta terra um tempo de paz e amor, de
fartura e beleza, de luxo e riqueza. Tudo isso a pachachim contava.
Nas montanhas o sol deitava e o verão parecia estar acabando, o que
fazer de tão bela descoberta? O tempo passou, passou e passou. Hoje
Laksha e sua flor ao mundo contam uma bela história de amor. Da
princesa o destino ninguém conhece, nem o porque do castelo a areia
ter encoberto. Mas uma coisa todo mundo sabe: sempre existiu amor no
mundo. As histórias começam e um dia terminam. Se você por este
mundo estiver passando e uma flor de alguém receber lembre-se de
Laksha, de seu castelo e de quanto foi amada. Se a areia seu mundo está a soterrar lembre-se do velho arqueólogo e para ele deixe uma bela peça. Deixe para o futuro um sinal de que na terra, neste tempo o amor brotou.
Fernanda Blaya Figueiró
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