Reverter o descrédito
nas instituições públicas.
A
campanha eleitoral está revelando uma falta de interesse do cidadão
brasileiro pela política, as pessoas não querem se envolver mais.
Acho que assim que passar o pleito, independente do resultado, algo
precisa mudar: a famosa “reforma política” precisa entrar em
discussão. Precisamos de um Estado mais eficiente e moderno: chega
de burocracia . Eu gostaria de ter o fim definitivo dos Cargos de
Confiança, a diminuição no número de “cargos públicos”, que
deveria ser ocupados por funcionários concursados, qualificados e
sem estabilidade após dois anos. Acho que a estabilidade é um
problema pois aprisiona o servidor a uma carreira longa e estática que é
incompatível com a atualidade. Para concorrer a cargos políticos o
candidato deveria ter um “curso de formação”, uma habilitação
para se tornar um bom administrador ou legislador, Acho que o
candidato deveria seguir as diretrizes de seu partido e deveriam ser
proibidas alianças entre partidos com diretrizes e doutrinas
incompatíveis. Quanto ao elevado número de siglas deveria ser de
alguma forma reduzido, para evitar a “enganação do eleitor”.
Numa democracia representativa o cidadão delega ao seu candidato o
poder de resolver os problemas da comunidade e gerir o patrimônio
público, mas alguns políticos esquecem isso logo que assumem seus
mandatos. Assisti a uma propaganda que lembra ao eleitor que ele é
responsável pelos atos de seu candidato, mas precisamos também
lembrar que a Justiça Eleitoral, os partidos políticos, são
responsáveis por garantir a qualidade dos candidatos e acompanhar,
fiscalizar e punir atos errados de políticos. Tenho conversado com
várias pessoas que estão com uma sensação, pela qual eu também
sou atingida, de que “não faz diferença” se A, B ou C se
elegerem, se tal sigla for vencedora ou perdedora, logo a seguir
as mesmas pessoas estarão na volta “como mosca no mel” e os
mesmos mecanismos de ação se estabelecem. Isso precisa mudar. Como?
Acho que vai ser preciso mudar a centralização do poder, diminuindo
a importância de Brasília, ser um Governador de Estado, na atual
conjuntura, perdeu o peso. O governo central está sufocando
os estados e municípios, onde as coisas realmente acontecem. Vou
defender uma idéia que nem é minha, mas precisamos ser uma
Federação de fato, não só no papel. Estados autônomos que são
parte de um todo que é a Federação, o Brasil. Hoje o poder
centralizado está matando “a galinha dos ovos de ouro”, por
exemplo, aqui em Viamão estamos tentando convencer a municipalidade
a integrar o “Sistema Nacional de Cultura”, então foram
realizadas conferências, elegemos o Conselho Municipal, fizemos
fóruns, seminários, patati, patatá, para que o município possa
receber parte de um fundo nacional e alinhe suas ações com a união
e o estado. Mas a coisa é tão burocrática, sem praticidade que
cansa, a propaganda sobre os benefícios que o município teria ao
aderir ao sistema não corresponde a realidade, então as pessoas
cansam e se desinteressam. Um plano, um fundo, um orgão gestor
(secretaria municipal), duas instâncias de articulação (conselho e
conferência), eleições no meio tempo e nada acontece de fato, só
no papel. Falo na cultura porque é a vivência que tenho, mas em
outras áreas a coisa é de igual para pior: o Município espera pelo
Estado que espera pela União; e ninguém faz nada. Esse mecanismo
todo é regido pela Constituição Federal, que é boa, foi bem
pensada, bem estudada, mas que na prática parece que não tem tido
efetividade. Esse é um pequeno pensamento sobre uma ampla reforma
que deverá acontecer no Sistema Político Brasileiro, uma discussão
que precisa ser feita pela população comum, mas também por
técnicos em direito, sociologia, administração, antropologia, em
comunicação, cientistas sociais, deve levar em conta a conjuntura
internacional e os avanços tecnológicos e a diversidade regional. O
Brasil é um grande país e pode tornar-se muito maior e mais eficaz.
Essa eleição está comprometida por um modelo ultrapassado de
processo político, mas pode simbolizar o fim de um ciclo e início
de outro, com um verdadeiro processo legal de transformação da forma
como o país é conduzido, passando por verdadeiros debates
políticos. Neste sentido escolher bem, dentro do que “a casa
oferece”, significa escolher quem vai fazer as reformas
necessárias, para que a democracia representativa volte a
representar os anseios da população. Porque essa sensação de que
é tudo a mesma coisa, não é saudável.
Fernanda
Blaya Figueiró
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