Há uma nova humanidade
a cada cem anos
Nossos
velhos estão ficando muito envelhecidos, nós mesmos cruzamos
algumas imaginárias fronteiras. Já não mais posso morrer jovem,
uso esta frase em algum perdido poema. Ontem assisti a ação no mundo
de um senhor, vestia um terno riscado e pedia esmolas, não parecia
necessitado, mas mesmo assim mendigava, pensei essa pessoa nunca vai
sai desta situação, se coloca em situação de pobreza, pensa
empobrecidamente, atrai para si a pobreza. Hoje abri o jornal, ou os
sites, as televisões, os rádios e eis que o mundo me pareceu
enfermo.Sempre foi assim. Ando tentando escrever um pouco menos para
voltar a uma escrita mais elaborada. A poesia tem que descolar da
realidade, tem que abstrair. Dar o passo em falso, o movimento
incerto. Nossas guerras são fruto de nossa natureza, de nosso lado
animal. Andamos na corda bamba com uma vara nas mãos e desafiamos a
vida ou sua ausência. Que animal estranho nós somos. Racismo,
lutas pelo poder, extermínios. Pressão, pressão,pressão. Estamos
sob pressão. Eu não sou uma mulher, não sou uma pensadora, não
sou brasileira, poeta, escritora, estrangeira e ao mesmo tempo sou
tudo isso. Isso é ser, dentro desta nova configuração de mundo, todas
as histórias que estão acontecendo dizem respeito a mim. Minha aldeia
é global, minha passagem por este tempo talvez seja só para
perceber isso. Não! Não me digo uma Deidade, não me comparo a Deus
onipresente, onisciente, onipotente, absoluto. O nosso ser humano que
se quer assim, um. Um único ser. Como queria ter hoje criado um
poema.
Fernanda Blaya
Figueiró
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