Todos os caminho errados podem levam ao lugar certo. Todos os caminhos certos podem levar ao lugar errado.

Todos os caminho errados podem levam ao lugar certo. Todos os caminhos certos podem levar ao
lugar errado.

                                                                                                     Ao amigo e leitor Paulo da Gama Mor.

Tenho muitos amigos que são hoje leitores e muitos leitor que são hoje amigos, um texto é um monólogo , parte de uma só ótica, quando ele encontra o leitor vira um diálogo, encontra oposição e aceitação, causa impacto diferente em cada leitor e em cada momento. Eu tenho escrito muito nos últimos tempos e sobre diferentes temas, mas sempre com um olhar: o meu. As pessoas podem discordar ou concordar com o que está escrito, porque é só um jeito de olhar, de pensar e de reagir ao mundo. De estar e ser limitado a um ponto, a página. Escrevi bastante sobre educação nos últimos tempos, sobre o nosso sistema de educação, não acho que esteja de fato tão ruim, mas precisa melhorar e muito. Não só a educação formal, que acontece nas escolas e no ensino superior, mas a educação cidadã, de como agir em sociedade. O acesso ao ensino superior não ocupa muito a minha atenção pois é o topo do sistema o aluno que consegue chegar ao final do segundo grau ou ensino médio já venceu. É um aluno que tem mais chances de mudar a própria história, freqüentar uma universidade é uma experiência única e mesmo que o formando não siga a profissão que escolheu o conhecimento que adquiriu mudam a sua atuação no mundo. Claro que não basta ter ensino superior para ser uma boa pessoa ou ter uma “vida bem sucedida”. A notícia que mobilizou o país esta semana retrata bem isso: dois profissionais liberais foram acusados de matar um porteiro, um publicitário e uma advogada, que podem ter cometido outros crimes graves. Essa é uma nova realidade para nós, criminosos com formação superior não são uma norma. Pensamos que pessoas com alto nível de estudo são automaticamente bem sucedidas e “ de bom caráter”. A titulação tem quase um aspecto de “salvo conduto” moral, é muito almejada. O que mais me ocupa a atenção é o ensino pré-escolar e fundamental, porque abrange um número muito maior de pessoas e num período da vida em que as normas são aprendidas. A escola básica pode mudar muito mais a sociedade, pode trabalhar o aluno e os pais, é uma porta de entrada para o Estado participar da família. Esta semana também foi muito debatida uma nova legislação a “lei da palmada” que proíbe o castigo físico, por sorte o texto parece que ficou equilibrado, fica proibida a palmada, ou seja os pais não podem mais bater em seus filhos para repreendê-los, mas a lei não tornou crime passível de prisão o ato de dar uma palmadinha. Os núcleos familiares que apresentarem violência doméstica serão encaminhados para tratamento. Precisaria uma lei para isso? Não, se as leis atuais fossem cumpridas. O que precisa: uma ampla discussão sobre o assunto, para que ele chegue até os lares e modifique a forma como pais e educadores se relacionam com os filhos e educandos. Ou seja precisa de um projeto de política pública abrangente que eduque dentro e fora dos muros das escolas. Uma grande parte da nossa população cresceu a margem do sistema, segue modelos de convivência medievais, como vimos recentemente nos casos de linchamento, de justiça com as próprias mãos, etc... Esse problema não está ligado a um governo, mas a um histórico de exclusão social. Como romper com este paradigma dentro de um Estado Democrático de Direito? Educação cidadã é um conceito que perdemos um pouco. Eu não discordo dos programas assistenciais do governo, o SUS, por exemplo, as pessoas tem o direito de serem atendidas por médicos e agentes de saúde de forma gratuita e recebem os medicamentos, mas estão ficando acomodadas, só exigem os Direitos e não cumprem com os Deveres, onde isso vai nos levar? É dever da família cuidar da alimentação, saúde e da educação de seus filhos, é direito dela que o Estado garanta saúde e educação, mas o Estado sozinho nada pode fazer. As famílias levam a criança ao médico, a escola, a praça e não querem dar o remédio que o médico prescreveu, não querem ouvir a professora, não querem cuidar da criança na praça. Policiais, médicos, professores, artistas, políticos, assistentes sociais estão, muitas vezes, lidando com uma população que exige direitos e não conhece os deveres. Uma imagem chocante desta semana foi a de uma pessoa que foi arrancada de uma cadeira de rodas em um posto de saúde e arrastada pelo braço por “seguranças”. Quanto despreparo! Porque um posto de saúde precisa de uma segurança? Essa é a primeira pergunta. Facilmente respondível: porque o cidadão que vai ao posto, as vezes, acha que tem direito de bater no atendente, no médico. Isso pode ser trasportado para a educação, há inúmeros casos de professores acuados e espancados em sala de aula. Bem mas isso não justifica de forma alguma a ação dos “seguranças”. Chega um “cidadão” sem documentos, porque está sem documentos? O que fazer? Provavelmente está sem documentos pois é foragido, deve algo a sociedade. Isso faz dele um lixo? Não. E se este cidadão estiver armado o risco passa a ser de quem? E se estiver simulando uma doença para praticar um assalto ou ato ilícito? Mesmo assim precisa ser bem tratado. O correto seria uma revista para saber se está ou não armado, um atendimento e a imediata informação de sua presença no posto a uma autoridade policial. Como as relações foram ficando tão “deturpadas”? Que mecanismo levou a este “estado de tensão” em um simples atendimento de saúde? Um não entendimento dos Direitos e Deveres. Como algumas pessoas foram perdendo o entendimento sobre o convívio em sociedade? Lembrando que isso pode ocorrer em todas as classes sociais, em todas as profissões e níveis de escolaridade. Como modificar a realidade? Não vai ser só votando no partido A,B ou C. Isso é uma ilusão, foi criada ideologicamente, a noção de que a “culpa é do governo”, quem é esse ser “O Governo”? Se eu critico “o governo” e você - leitor - é governo, você fica indignado, se você - leitor - é oposição, aplaude. Essas perguntas todas são um monólogo. Você leitor tem que, se quiser, reagir a elas. Você pode dizer não é assim que eu penso. Não é assim a realidade. Tem coisas boas e ruins num mesmo governo, assim como tem coisas boas e ruins numa escola, num posto de saúde, num atendimento policial, num texto, numa lei, numa manifestação. Essa acredito que seja a nossa capacidade de criticidade, nossa capacidade de ir até o limite e modificá-lo. Quanto a minha opinião sobre o Governo Dilma, sobre os programas de governo, acredito que tem coisas muito boas, como o enfrentamento da pobreza, a retomado de investimentos para o crescimento e o desenvolvimento com os PACs, mas tem sérios problemas como a falta de combate a corrupção, uma má gestão de recursos, Educação e Saúde consomem muito dinheiro que poderia resultar em uma modificação muito maior da sociedade. O Brasil está independente do FMI, porque ao longo de trinta anos conseguiu pagar a sua conta, isso é uma maravilha. A nova conta está sendo feita com financiamento de fundos nacionais, como o BNDES, se eu estiver louca e dizendo asneiras não se irrite, não sou economista, apenas pense ou prove isso não é verdade, essa maluca não sabe o que fala. Não concordo em usar recursos do país para ajudar Cuba, Paraguai ou Uruguai, existem fundos internacionais para isso e o Brasil tem necessidades de investimento pesado em infraestrutura. O agronegócio é uma das nossas fontes de riqueza e os problemas de demarcação de terrar muitas vezes criam conflitos violentos e desnecessários. Somos um país capitalista é preciso uma maior distribuição de renda, soluções para moradia popular, para a questão indígena e dos sem terra? Sim. Mas como? Não pode ser no "grito". Direitos e Deveres novamente. Essa é a minha opinião, volto a dizer não é a verdade é um ponto de vista, só. Como o governo, não só o governo atual, vê e age nestes casos? Quem são os "sem" terra, teto...? O que querem e como podem deixar de ser "sem", será que realmente querem deixar de ser "sem"? Ser "sem" faz deles o que são?
Voltando ao título: qual é o caminho? Em quem vou votar? Ainda não sei. Contem-me como "sem" uma decisão, no momento. Peço desculpas mas depois de algumas cervejas evito assuntos polêmicos e .falar ao telefone...


Fernanda Blaya Figueiró

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