Manifesto de apoio ao
artista de rua.
“ Todo o artista tem
que ir onde o povo está.”Milton Nascimento
A importância da arte
de rua é imensurável, nossos artistas precisam ter contato com o
público, mostrar seu trabalho. Poucos e raros são os espaços
públicos destinados a arte e ao povo comum, a rua, as praças, são
muitas vezes a alternativa que sobra para que os artistas possam
trabalhar. Sim, senhores! Artista trabalha, não vadia. O poder
público precisa respeitar e valorizar a cultura, pois muitas vezes é
o que vai ficar de registro da energia de um povo. Os protestos
violentos do ano passado fizeram um desfavor para a arte, criaram em
algumas autoridades uma atitude prepotente e desrespeitosa para com
os artistas, como se estar em público fosse errado, não é, estar
em público com um violão, uma pandeiro ou recitando um poema é um
direito universal, garantido na constituição e no caso da cidade em
que moro Viamão, na Lei Orgânica do Município. A administração
tem o dever de garantir a diversidade de manifestações artísticas.
Uma cidade sem arte é uma cidade sem alma. Espaços públicos vazios
de gente e de ocupação cidadã tornam-se violentos e estéreis
“Quando nas praças
s'eleva
Do Povo sublime voz...
Um raio ilumina a treva
…
A praça! A praça é
do povo
Como o céu é do
condor” Castro Alves... 1864
“Algum dia, quando o
tempo chegar,
haveremos de refletir
as idéias
de
todos os pensadores
de
todas as épocas.” Bertolt Brecht
A Copa vai acontecer,
em paz e sossego, mas o artista de rua precisa se manter, precisa
estar na rua passando o chapéu, para não fenecer. Vocês
administradores, funcionários públicos municipais, profissionais
liberais, políticos,legisladores, juízes, empresários, lojistas,
etc, quando não estão exercendo suas elevadas profissões não
gostam de assistir a um bom filme, um bom espetáculo, ouvir uma bela
canção, um poema, ler um livro, apreciar uma obra de arte? E para
esse deleite é preciso saber que alguém dedica seu tempo e energia
para chegar aonde o povo está, as vezes como diz a letra de Milton
Nascimento em troca de um pedaço de pão. Então, senhores! Não
tirem o pão da boca do artista ao proibi-lo de estar na praça, na
rua, em contato com o público. É um direito do artista, do cidadão
estar em público, de forma ordeira e respeitando a hora de silêncio
e as outras normas de convivência. Para quem não gosta de ver um
grupo de jovens batendo palmas, um artista tocando flauta ou violão
pense antes de ligar a sua televisão, com seus chinelinhos
quentinhos e como diria Raul Seixas “Com a boca cheia de dentes,
esperando a morte chegar”, que do outro lado da tela tem gente:um
artista. Aquela pessoa, “molambenta” pela qual você passou e foi
reclamar na Guarda Municipal, aquela pessoa tem o direito de estar
ali, tanto quanto você. A maioria dos meninos que vai defender a
“Seleção Brasileira” se formou nas várzeas e nos campinhos de
bola. A manifestação pacífica de um desagrado, de um
descontentamento é um direito também, mas a bandalheira não, que
a administração pública use os mecanismos legais para garantir e a
ordem ninguém se opõe, mas não usem a desordem para justificar a
eliminação do direito de expressão e de manifestação do artista
de rua, que precisa comer, como todo o mundo. Assino este texto meu
nome e deixo aberto a quem dele precisar, para assinar também ou
para modificar, apoiar ou contestar. A Copa vai nos ajudar a evoluir
em educação cidadã. Salve a Constituição Brasileira!
Fernanda Blaya Figueiró
PS corrigi o verso de Castro Alves, tinha suprimido um P por desatenção, desculpem-me!! Escrevo, reviso e publico então as vezes não percebo o erro.
PS corrigi o verso de Castro Alves, tinha suprimido um P por desatenção, desculpem-me!! Escrevo, reviso e publico então as vezes não percebo o erro.
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