Eu já
fui melhor.
Acho que
isso acontece sistematicamente com escritores, parece que temos
períodos de escrita melhores e períodos piores. Parece que minha
escrita está “embotada”, pode também ser um pouco de auto
boicote. Há anos digo que sou escritora e agora que acho que já sou
dá um certo “medo” de enfrentar a escrita. Reli hoje posts
antigos, tem alguém lendo vejo pelos acessos do blogue uma certa
busca dirigida. Olá! Você que está aí do outo lado, como vai?
Nossa realidade brasileira tem tornado a escrita “pessimista”
além da conta, acho que ao passar o pleito eleitoral talvez algo de
poético retorne a nós. Quando fico sem muito o que escrever, hoje
escreveria sobre uma frase “ a necessidade de nos reinventarmos,
como humanidade” mas joguei fora, busco ler. Ontem comprei “No que acredito”
de Bertrand Russel, não conhecia nada deste autor e gostei bastante,
claro que o mote da atenção dele são os problemas do pós primeira
guerra, o livro é de 1925, quando a religião tinha um outro peso na
vida das pessoas. “Tudo o que aumenta a segurança geral tende a
diminuir a crueldade” pg 88, essa frase me pareceu perfeita para o
momento em que o Brasil está. Ele continua: “Somente a justiça
pode conferir segurança; e por “justiça” me refiro ao reconhecimento da
igualdade de direito entre todos os seres humanos”. Logo após fala
sobre coragem, para mim ótimo, pois renovou minha coragem diante da
folha em branco e também aliviou meu fardo, pois escrevo dentro da
minha realidade. Em determinado ponto do livro ele aborda como nossas
“superstições” nascem na infância e na juventude, nossas
certezas e pontos de vistas vem de lá, dos primeiros anos. Diferente
dele eu acredito em Deus, acredito na imortalidade da alma, na
possibilidade de reencarnação, acredito em estigmas, em sinais, em
um sentido além do real para o fato do ser humano existir. Concordo
que somos o mesmo que o Universo, que somos natureza. Só que para
mim esse eterno não carece de ser individual ou de ser ligado ao
nome e ao corpo que habito, para mim a morte do corpo é uma
libertação da alma, é um retorno ao pó e a energia cósmica. Eu
sou energia e quando daqui for serei uma energia maior ainda. Mas
tenho, como todo mundo, o instinto de sobrevivência, ele me impede
de desejar a morte, ninguém deseja a morte, algumas pessoas perdem a
energia necessária para continuar lutando pela vida. Perdem a força
e daí morrem e isso tudo é aprendizado, a vida é esse tempo para
aprender, para estar e ser no mundo. Até onde vou? Não sei.
Escrever faz algum sentido? Sim e não. Sim, porque alguém vai ler
um dia, não porque nada disso precisava ser escrito. Tudo já foi
melhor, os escritores eram melhores, os músicos,a dança, a arte em
geral. E esse desmoronamento é o início de algo muito, muito
melhor. Caem placas de gelo nos pólos e a água muda no mundo todo,
os ciclos mudam, se neste tempo eu for combustível para mudança,
que maravilha será, se não for vou continuar aqui pintando em
palavras uma pequena parte da minha realidade. Hoje eu queria ter
escrito um belo poema, mas não consegui.
Fernanda
Blaya Figueiró
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