Pesquisa
do IPEA estava errada
Ouvi
agora a pouco que o pesquisa, que movimentou as pessoas na semana
passada estava errada. O índice de pessoas que acham que mulheres
que usam roupas curtas “merecem” ( insisto que aqui já há um
grave erro, induz resposta do entrevistado) ser estupradas foi de
25% e não 65%. Todo mundo pode errar, mas a questão é que quem
ouve os noticiários percebe que as “pesquisas” são inúmeras,
as vezes completamente contraditórios, uma notícia quase desmente a
outra e não informam direito, só causam “polêmica”. Só que
essas pesquisas mudam a forma como o brasileiro vê a si mesmo e como
a comunidade exterior olha para o país. Isso é grave. Nossas
escolas, nosso sistema de saúde, nossos índices de desenvolvimento, nossas instituições são hora exaltadas, hora atacadas. Violência
urbana, sensação de insegurança, índices de alfabetização, como
a população vê os gestores, inflação, poupança, será que tudo
isso é real? Ainda bem que o IPEA reconheceu o erro, muito
provavelmente porque alguma “força” deve ter fiscalizado e
solicitado esclarecimento. É preciso um pouco mais de cuidado das
instituições que lançam estes dados e da imprensa que divulga, além
das “instituições” que põe lenha na fogueira. Vamos sim
trabalhar para que as mulheres possam andar como bem entenderem sem
correr risco de sofrer um ataque. Vamos respeitar a “diversidade”
de opinião. Não deveríamos julgar as pessoas que responderam ao
questionário. Mesmo que não concordemos com isso as pessoas podem
pensar assim, não é crime, nem é imoral, é parte as vezes do meio
em que estão inseridas. Comunidades mais fechadas, mais religiosas,
mais conservadoras podem pensar assim. Outra coisa, não sou advogada,
nem entendo de leis, mas até pouco tempo havia algo que se chamava
“obrigações matrimoniais” , então ter até hoje pessoas que achem
que a mulher ou o homem devem cumprir com suas “obrigações
matrimoniais” entre elas a relação sexual não é nada de outro
mundo, ou uma “tacanhice” é algo que existe. Inclusive o
“casamento não consumado” poderia ser anulado até pouco tempo. Então alguns
conceitos, idéias, conhecimentos ficam fechados em grupos muito
pequenos e não atingem a grande maioria da comunidade. Os
especialistas falam entre si e deixam as pessoas comuns de fora de
seu mudinho evoluído. Já as mulheres que responderam a pesquisa
devem viver uma outra realidade.
Fernanda
Blaya Figueiró
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