O voto
Será que
nós brasileiros sabemos o que é um voto, viver em uma democracia,
em uma república representativa? As vezes tenho um pouco de dúvidas
sobre isso, as pessoas parecem equivocadas com relação ao que é
uma eleição e sobre o que é receber um mandato para tomar decisões
em nome da comunidade. Não sou especialista em nada, só em olhar
para o mundo e ir pensando como quem costura idéias. Agora teremos a
possibilidade de escolher entre três grandes siglas e seus
candidatos. Um vai tomar as decisões mais importantes para o nosso
país, pelos próximos quatro anos. A, B ou C, ou ainda siglas
menores podem vir a vencer, eu vou escolher um e digitar na urna meu
voto, torcerei para que meu “candidato” seja o vencedor, mas se
por acaso não for não posso passar os quatro próximos anos
desejando que o vencer vá mal, porque se ele for mal e decidir
errado, todos nós vamos pagar por isso. Cada sigla, logo seu
candidato, tem as suas propostas, sua plataforma de trabalho, planos
e pensa nas soluções de uma forma. O país vai “andar”de um
jeito ou de outro, vai ser dirigido conforme a ideologia da sigla
vencedora, mas acima de tudo está a lei, a Constituição e as leis
por ela regidas Nacionais, Estaduais e Municipais, que definem regras
que são iguais para qualquer cidadão e devem ser obedecidas por
todos. Então é ilusão achar que um partido ou um político vai
mudar tudo, vai “salvar a pátria”, pode sim um bom político
agir corretamente e tomar boas decisões, ou agir de foram errada e
prejudicar a comunidade, mas as diretrizes sobre o que deve e precisa
ser feito já estão definidas. O que nós queremos para o país: o
melhor. Nós temos que querer ver o país funcionando bem, com as
verbas públicas bem empregadas, sem roubo, sem desvio de dinheiro
público, porque esse dinheiro existe para dar igualdade de condições
a todos os brasileiros. O imposto que será pago, hoje termina o
prazo para fazer a Declaração do Imposto de Renda, uma enorme
quantia de dinheiro, que deveria ser utilizado para garantir a
segurança da comunidade, educação do povo, preservação da
identidade cultural, garantia de saúde e alimentação para todos os
brasileiros, criar infra-estrutura para gerar receitas, renda,
emprego, para que todos possam ter a liberdade de escolha da forma
como vão viver. O seu voto vai ajudar a definir quem irá dirigir o
Brasil, quem irá utilizar o seu dinheiro. Para evitar a corrupção
é também na lei que está a solução e a resposta, a lei criou
mecanismos de ação para o combate ao crime. Viver em democracia não
é sinônimo de poder transgredir a lei, de fazer o que bem entende,
é estar numa sociedade organizada, já nascemos nela, podemos ir
mudando aos poucos ou romper e ir viver fora da lei, fora do
consenso. Nós podemos passar a vida toda descontentes, revoltados,
mas teremos que manifestar esse desacordo pelos meios que a
comunidade permitir, ou nos rebelarmos e sairmos dos limites da lei e
sofrer as penalidades que esta opção recebe. As pessoas estão
refletindo muito sobre o período da ditadura, um período de um
regime não democrático, que o Brasil e vários outros países
passaram, que tirou do cidadão muitos direitos e levou muitos ao
exílio, a viver fora da lei da época, a ser perseguido, mas mesmo
assim a sociedade estava organizada e funcionando, havia uma lei,
havia um código de conduta, havia uma declaração universal dos
direitos humanos, que muita vezes não foi cumprida. Vou estabelecer
uma metáfora: esta semana morreu um coronel que atuou naquele
período, fiquei com uma impressão que essa pessoa vivia a “tortura”
ainda, vivia num sítio decadente, mal cuidado, cercado de pessoas
suspeitas, seu caseiro participou do crime. Essa pessoa devia ter
uma boa remuneração, devia ter condições de ter levado uma vida
tranquila e parecia alguém atormentado. Talvez não fosse, mas as
imagens que a televisão mostrou eram a de alguém em profunda
depressão, alguém “torturado” pela memória. Militares,
normalmente, são pessoas disciplinadas, asseadas, organizadas e esse
senhor não era nada disso. Parece que essa pessoa transgrediu e foi
consumido pela transgressão. Nosso país em alguns lugares lembra
aquele sítio, com móveis quebrados, mofo nas paredes, sujeira pelo
chão, grama alta e descaso com o pátio. Essa pessoa deve ter
gerenciado mal seus recursos, foi morto no chão, sobre um
travesseiro, ou seja a pessoa que o matou teve o cuidado de colocar
um travesseiro para o seu conforto. Tinha jóias e dinheiro
escondido, tinha armas que talvez contassem parte da história do
país.
O Brasil
poderia cuidar bem melhor da sua casa, se soubesse administrar seus
recursos, e isso não se trata de um ou outro mandato, de um ou outro
partido ou presidente. A eleição não é uma guerra, é uma disputa
e tem que ser justa. Uma vez decidido o pleito todos nós temos que
fazer um esforço para que de certo e isso não significa aceitar
tudo pacificamente, mas criticar as coisas erradas com razão e
dentro do que a lei permitir e aplaudir as decisões corretas também
com criticidade e não para “trabalhar na eleição ou reeleição”.
Até que as regras mudem. Daí só saberemos o que virá quando uma
nova forma de organização se estabelecer. Eu nem ia escrever este
texto, já é a terceira versão as duas anteriores rasguei, mas para
alguma cosia deve servir um dia.
Fernanda
Blaya Figueiró
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