Em busca de uma simples verdade

Em busca de uma simples verdade

Sobre o poema anterior
Não vamos pensar na verdade de um passado longínquo, porque ela está longe e muito escondida. Vamos pensar num passado bem próximo, um homem que foi torturador durante o período de ditadura militar no Brasil foi encontrado morto, isso não é jornalismo logo quem quiser busque o nome demais fatos verdadeiros sobre a notícia. Bem, há um mês o homem estava vivo, hoje não está mais, verdade. Ele testemunhou sobre os atos que praticou e foi morto. Quem o matou? Ninguém sabe ainda. Por que motivo? Ninguém sabe ainda. Vamos supor que tenha sido por vingança: alguém ou algum grupo ainda está disposto a matar por fatos acontecidos durante esse período, alguém que combatia o regime. Vamos supor que foi morto por queima de arquivo: alguém ou algum grupo ainda existe ligado fortemente ao passado e que tem poder de matar, vontade de eliminar coisas antigas e poderia ter capacidade de criar um nova onda de perseguições. Vamos supor que tenha sido morto por seu arsenal, que esteve lá protegido por todos estes anos: alguém ou algum grupo tem capacidade para matar, poder para descobrir onde há armas e matou apenas ao homem. Enquanto nós vivemos a vida normalmente tudo isso pode ter acontecido. As pessoas a quem esse homem depôs não se preocuparam com sua integridade física, não olharam para ele como parte da história, como um ser humano, apenas julgaram: um bandido. Havia uma guerra, hedionda, desproporcional, brutal, essa pessoa sabia uma pequena parte da história e agora está morto. Quem o matou? Porque? Quantos iguais a ele existiram, em quantos países? Quem sabia, quem não sabia? A maior parte dos problemas atuais de segurança no Brasil são ligados ao tráfego de drogas, usando um paralelo podemos dizer que aquela rede de poder e de maldade se transformou e ganhou uma nova forma de ação e também liga toda a América e todo o Mundo. Quanta autonomia os países e suas comunidade tem na verdade. Olha a verdade que exibida, sempre querendo ser encontrada. O tráfico de entorpecentes é um problema mundial, é uma organização internacional. O menino lá no Rio de Janeiro que foi morto foi vítima de uma guerra? Quem o matou e porque? Vamos supor que tenha sido a policia, tem algo errado na ação da polícia. Vamos supor que tenha sido os traficantes de lá, podem estar querendo iniciar ou aprofundar um tipo de guerra. No meio estão todas as pessoas, indo trabalhar, comprando coisas para abastecer a dispensa, pagando contas, casando ou fazendo outros ritos, festas, ou seja vivendo normalmente, não é verdade? Então acho que a Comissão da Verdade é algo importante e precisa existir, mas tem que evitar criar uma onda de  ações violentas e uma cadeia de ação-reação interminável. Vítima e algoz estão se fundindo? Na vingança isso pode acontecer. Eu, se fosse mais esperta, não falaria sobre isso. Nem sei bem porque estou a falar, nós que vivíamos normalmente,como vivem as pessoas nas comunidades tomadas pelo tráfico no mundo todo, tivemos a “espinha quebrada” uma metáfora para explicar a nossa apatia daquele tempo e para justificar o grande medo que as pessoas ainda tem. “Você precisa de alguém que lhe dê segurança, se não você dança...” Não há esta segurança. Plagiando a uma polêmica pesquisa recente pergunto: Você acha que esse torturador mereceu ser torturado e morto?Era isso que você imaginava que aconteceria, ele se expôs com roupas curtas, teve culpa ao fazer isso?


Fernanda Blaya Figueiró

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