Como pode ter acontecido


Como pode ter acontecido

Quando alguém sem escrúpulos decide
que terá o que é do outro
pouca coisa resta a fazer

Status, dinheiro,poder,alegria,
beleza,harmonia,emprego, amizade, vida,
tristeza, que até uma tristeza pode
ser objeto do desejo do outro

Um gramado bonito, uma cerquinha
belas janelas e tudo no lugar certo
ostentando um estado de quase
perfeição
E os dramas sentados a mesa
É mesmo teu filho esse menino?

O veneno foi gotejando
em cada refeição
em cada porta fechada
em cada longo fim de semana
Nem parece contigo
lembra o jeito dela
faz lembrar o gesto dela

De como foi mesmo que ela morreu?
Morte violenta, violência que levou a morte
Esse menino faz lembrar algo repugnante
algo que tu fez

De onde saiu o despertar da ira
da maledicência?
Foi gotejando de boca em boca
da fala da amante
da fala da amante com a ex-amante
de olhar no espelho e
de ver no menino a morte e as
mãos cheias de sangue 

A maldade foi se instalando
aos poucos na falta de roupa nova
na falta de ir a missa
na porta fechada
na garganta apertada entre as mãos
covardes mãos
nos beliscões e nas palavras
malditas

Traição, ciúmes, raiva, revolta
tudo ao menino foi dedicado
o veneno vem dos remotos tempos
foi destilado, refinado, corrompido
Injetado, inalado,

É mesmo teu filho esse menino?
O veneno pingava na mente
gotejava caído da saliva da amante
da amante da ex-amante

O ódio aos olhos saltava
o ódio o coração corrompia
o ódio os olhos turvava
o veneno a mente destruía

A morte a tudo assistia
estarrecida assitia
quando o veneno transbordou
e a maldade se cumpriu
veio e o menino libertou

Esses que se achavam intocáveis
que se pensavam invencíveis
apodrecem em plena vida

Salvem o pequeno que ainda é tempo
salvem de saber o que se passou
de saber que quanta maldade existe
permitam a ele ter
uma nova identidade
uma nova oportunidade
um outro destino




Fernanda Blaya Figueiró 

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