Coelhinho da páscoa e
Noé
Uma coisa não tem nada
a ver com a outra... Hoje a chuva pegou a população indígena
desprevenida, molhando cestas, coelhinhos, marcela , foi uma correria
danada para salvar a lavoura. Trabalho de meses talvez, sustento para
muitos dias e noites sendo recolhido ligeirinho. Tão ligeiro que o
povo que passa mal tem tempo para olhar. Quem precisa de uma cesta
com cara de coelhinho? Quem quer ver a nossa gente bem nutrida,
trabalhando e feliz. As crianças cantando e dançando , ouvir um
guarani, que deve ser novo. Tem de cinco, de oito e de dez. Tem lisa,
tem colorida. Quanto mais perto da Páscoa mais barato fica,os olhos
e a boca são um invento pós moderno, vindo talvez da china, ou uma
adaptação ao mercado. A Páscoa está em todas as vitrines e o povo
brasileiro terá que encontrar o equilíbrio entre o consumo e a
inflação. Os especialistas falam em recessão, em baixo
crescimento, mas as pessoas estão na rua, estão comprando. As lojas
do centro e as dos shoppings estão cheias de belas mercadorias, de
ofertas, os preços variam muito tem para vários bolsos. As pessoas
estão andando bem vestidas, mais ou menos ou de forma simples, mas
todas adquirem coisas, consomem. Alguém vendeu o que o povo está
usando, o que circula nas ruas. Talvez o crescimento do Brasil
estabilize e isso não deve ser nenhum bicho de sete cabeças, não
precisamos competir com grandes economias. O desafio seria como
manter a empregabilidade atual, sem inchar e crescer muito. Como
encaixar no mercado a população menos qualificada e a muito
qualificada, que nas duas pontas é difícil um bom arranjo. Um
crescimento muito louco não atrairia pra cá um capital ávido por
lucro e uma população carente de outros países, como já vem
acontecendo, uma migração de lugares que estão piores. O mundo
todo é responsável por essa população itinerante. Nossas cidades
já estão super lotadas. Basta olhar o problema de abastecimento de
água de São Paulo, a chuva mudou como resolver? Onde foi parar a
água? A cidade não se preparou para crescer tanto, então ir mais
devagar pode não ser um problema. O Planeta é vivo e vai se
remodelando. Fui assisti Noé, adorei, ao passar pelo corredor ouvi
dois jovens comentando e que o filme tratava de religião. Isso já é
uma barreira. O filme é sobre religião mas também sobre uma parte
da história da humanidade,mostra como os antigos
explicavam as mudanças. Como buscavam no homem e no fazer humano uma explicação para a mudanças:”o homem agiu mal e precisa ser
punido”. Hoje dizemos o homem agiu mal e está sendo punido, não
mais por Deus, mas pela Natureza. Noé é retratado como ser humano,
imperfeito, vive o dilema de estar diante da vida e da morte,
acreditar ou não, construir, matar, salvar, destruir. O fardo muitas
vezes lhe pesa nos ombros, pesa ser e estar no mundo, abrir os olhos e
decidir. Não é que quando sai do cinema o mundo parecia ter
desabado. E os índios e sua produção? Apostaram na Páscoa, nas
vendas, produziram, perderam uma parte, devem ter conseguido salvar
outra. Tiveram Fé na cidade, de que compraria seus produtos, como
todos os anos acontece. E a cidade vai responder, vai comprar, talvez
não tudo, mas o suficiente. A economia vive da fé, não da fé
religiosa, nem da fé cega, mas da aposta de que vai dar certo.
Algumas apostas saem vencedoras outras não. Alguns empreendedores
ganham outros perdem. Alguns levantam outros ficam caídos. Os
especialistas, os gestores deveriam andar mais entre as pessoas, não
com o olhar de especialistas, mas com de um entre os outros. Onde está
a água da reserva lá em São Paulo? Como trazer de volta ou como
mudar a abordagem sobre o tema? Talvez indo ver um filme ou saindo um
pouco do foco a resposta pode vir. Quando voltar a chover e a água
voltar a correr não dá para esquecer esse tempo de angústia. Mas ninguém tem culpa ou
está sendo punido. O Planeta está nos dizendo vocês lembram de
Noé, vocês conhecem os desertos de sal dos Andes, as escarpas de
alguns lugares antigos, os leitos dos vulcões... Quando sai do
cinema meu filho estava por ali, comentei sobre o filme e ele
disse”Tu gostou? A crítica detestou”. Especialistas - pensei! O
mais legal foi o filme devolver o arco-íris, símbolo da nova
aliança de Deus com a Humanidade, ele é também do movimento Gay,
mas não só do movimento gay. É de todos nós ou todos nós somos
dele, arco-íris, com nossas imperfeições e diversidade.
Fernanda Blaya Figueiró
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