Um
“espectro” mais amplo sobre os últimos cinquenta anos
Hoje
o Brasil lembra o início do último período de Ditadura Militar que
o país viveu. É uma data para ser lembrada e entendida dentro de um
espectro mais amplo, normalmente as pessoas pensam neste período
como sendo parte só da história brasileira e acredito que seria
mais producente olhar para este período estabelecendo paralelo com o
que acontecia no mundo todo, eu não tenho condições de fazer isso,
porque não sou historiadora. Mas na semana passada assisti ao filme
Trem noturno para Lisboa e fiquei muito impressionada pois nunca
tinha notado que na Europa também houve neste período uma grande
opressão, tanto no lado oriental, quanto do ocidental. Me senti um
pouco “ignorante”. Os mesmos fatos que aconteciam aqui aconteciam
em outras partes do mundo. A ditadura no Brasil foi parte de um
grande contexto mundial, precisamos entender isso tudo melhor para
superar e evitar que se repita. Ontem o Estado brasileiro retomou um
território, incrustado numa das cidades mais importantes do país,
que era dominado por facções criminosas. Será que isso também não
é parte de um espectro mais amplo, não teriam outros bairros e
territórios do mundo tomados pela criminalidade e como foram
retomados por seus governos? O que exatamente estamos vivenciando?
Que período histórico é esse? A fome ameaça voltar, com ela podem
vir os outros cavaleiros que sempre ameaçaram a humanidade e que
levaram as principais mudanças pelas quais nossa espécie passou.
Quem somos nós nessa maré? Cinquenta anos depois o Exército é
chamado a interferir numa parte do país, sob o comando de um governo
democrático, com uma presidente mulher, ex-guerrilheira. A sociedade
espera que essa nova ação das forças armadas seja totalmente
diferente e traga a paz, restitua a sensação de segurança e que
seja breve. Esperamos também, pelo menos eu, que a cultura
violenta
que acontecia nestas comunidade não migre para outras partes do
Brasil. Que haja um real combate ao crime e a desarticulação das
"células criminosas" sem violência, sem excesso de uso da
força, sem tortura, sem mortes suspeitas, sem colocar outras
comunidades em risco. Esse seria um ideal de ação, tomara que fique
próximo a isso e que não tenhamos novamente uma onda de repressão
violenta. Meu post anterior falava sobre uma “pesquisa” que
causou uma grande revolta em uma parcela da população, pois informa
que um índice elevado de pessoas acha que as mulheres “merecem”
ser atacadas se usarem determinadas roupas. Acho que a pergunta foi
mal formulada e talvez tenha induzido ao erro. Fui pesquisar um pouco
sobre o assunto e concluí que o tipo de reação que se formou,
quase imediatamente, já aconteceu em outros locais e gerou algo
chamado de “marcha das vadias”. Isso é preocupante, pois
aconteceu em outro país que talvez viva uma realidade diferente da
brasileira e consiga garantir uma maior proteção a sua
comunidade.No nosso país a violência urbana está fora de
controle. As pessoas precisam tomar cuidados extra e a roupa é sim
um fator de risco, não só para mulheres como para homens. Usar
camisetas de times de futebol ,por exemplo, pode levar a morte por
espancamento. Usar símbolos nos carros pode levar a destruição dos veículos. Usar roupas e acessórios caros atrai o olhar do agressor,
roupas sensuais também. Incentivar jovens a serem fotografadas
despidas pode expô-las ao olhar de pedófilos, de voyeurismo ou de
tarados. Não vivemos num conto de fadas.
Fernanda
Blaya Figueiró
Comments