Continuando o texto de ontem


Continuando

Hoje assisti a dois filmes "Lola: uma Mulher Alemã" e  "A menina que roubava livros". Dois filmes esteticamente bem diferentes mas ambos situados na Alemanha no período próximo a  II Guerra Mundial. O primeiro tem personagens que parece que vivem nos dias de hoje, o filme mostra a forma como um funcionário público, que se muda para uma cidade mergulhada na corrupção, vai sendo contaminado e corrompido. Há uma cena em que o empresário chefe de um esquema de corrupção troca de lugar inúmeras vezes com o prefeito, sentando em sua cadeira. O período é entre as duas guerras e toda a comunidade parece fazer parte do mesmo problema, tudo está para mudar e eles vivem normalmente sem a preocupação em como vai terminar a “negociata”. Apenas se aproveitam da corrupção.  No segundo filme a guerra está começando, e também trata da vida normalmente acontecendo dentro do tempo de guerra. Em várias partes do mundo neste exato momento tem pessoas vivendo as barricadas, ou a guerra já contabilizando os mortos, deixando cicatrizes nas pessoas, destruindo o que havia, dominando pelo medo. O medo que falta no primeiro filme sobra no segundo, os personagens da sociedade corrompida não temem nada, acham que tudo está bem e que vai continuar assim, que são intocáveis. Os personagens do período da guerra temem tudo e não acreditam em nada não tem esperanças. As duas grandes guerras já produziram inúmeros trabalhos de literatura, cinema, música, teatro, dança, artes plásticas. Muitas teses e estudos já devem ter sido feitos sobre elas. Muitas mágoas e memórias ruins já foram apagadas pelo tempo.O que aprendemos com tudo isso? 
Nos dias de hoje acho que não entraríamos mais num grande conflito envolvendo todos os países, mas pequenas disputas e uma guerra diferente, mesclada nas cidades, disfarçada como “violência urbana”, mas que afeta a todos. Estamos “perambulando” pelo mundo, em constante movimento, indo de um país para o outro, de um continente para o outro, voltando a origem, modificando a paisagem nesse “andarilhar”. A guerra exatamente como já aconteceu dificilmente retornará, mas os eventos que foram corrompendo as relações entre as pessoas, pois ai que o problema começa, e que depois vai ganhando uma maior importância, são os mesmos: intolerância partidária, ódio por uma pessoa ser de um grupo ético, ou de um credo religioso, corrupção, desvalorização ou super valorização de um segmento ou classe social, desvalorização da vida, banalização da morte, excesso ou ausência de autoridade, e o dinheiro... A pergunta que fica é tem como segurar esse “trem”, modificar as ações? Evitar que pequenos conflitos virem grandes problemas.

Fernanda Blaya Figueiró

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