Sou o expectador comum


Sou o expectador comum

Lembro de já ter afirmado isso, mas de tempos em tempos é bom repetir.Minhas percepções, ou seriam angústias, são as mesmas de todos os tempos, por isso são repetitivas e talvez enfadonhas. Esse será um texto longo acredito, quem não gostar pode ir embora agora. Onde fica o ponto de equilíbrio entre a livre associação entre as pessoas e o controle do Estado? Seria possível num país de longa tradição burocrática simplificar o seu modo de ser? Não sou especialista em nada, minha escrita parte da observação, do ócio, da simples e pura observação. Se hoje nossas autoridades resolverem que vão agir de forma equilibrada e justa, o povo voltaria a acreditar e entraria nos eixos? Não somos melhores nem piores do que os outros somos reedição dos tempos antigos.Eu deveria acreditar mais no “valor” do meu olhar. Somos levados a ter a convicção que esse saber advindo do ócio, da arte popular tem pouca “valia”. Sei muito pouco sobre Ezra Pound, mas o canto 45, não sei em que ano foi escrito, fala na Usura.
“...Usura oxida o cinzel
Ela enferruja o ofício e o artesão
Ela corrói o fio no tear”... pg 239
A tensão que há neste poema, parece um pouco a tensão que se ouve na voz das pessoas.
Em algum momento o poeta larga a expressão “CONTRA NATURAM”. Contra a natureza, mas presente ao longo da história da humanidade.
No canto seguinte há uma breve lista:
...“CINCO milhões de jovens sem emprego
QUATRO milhões de adultos analfabetos
15 milhoes de 'vocações desajustadas', ou seja com pequena
chance para o empregos
NOVE milhões de pessoas por ano vítimas de acidentes
industriais previsíveis
Cem mil crimes violentos”...
“,d.c.1935” pg 244
Seria possível evitar os anos de 1935 a 1945, ou é natural e cíclico? As pessoas sabem o que querem? Ou vão aumentando a tensão, aumentando até explodir? Aqui gostaria de ter um “ponto de luz” onde não houvesse nem a apologia a guerra, nem a paz permanente. O Canto LI, pg 258, repete algumas partes e esse repetir talvez seja o poeta nos dizendo olha as coisas repetem.
Não falo do Brasil, nem de um pequeno conflito, falo da tensão que parece estar se formando como uma tempestade que vai fechando o horizonte. Uma vez me disseram que eu tinha uma tendência a ver as coisas mais cinzas do que são. Acho que o equilíbrio está em saber que há dias de sol, dias nublados e dias de sol com nuvens. Que há tempestades e bonanças. Falamos em coisas boas acontecendo, coisas não tão boas, coisas ruins e muito ruins.
Usura talvez hoje seja uma outra coisa, crédito e juros, que permitem a uns e exclui a outros. Mas parece que algumas coletividades repetem antigos ciclos, se colocam numa situação complicada. Buscam a má sorte. Ou ainda caem na lábia dos que buscam desestabilizar para tirar melhor proveito.De quem vive da energia do caos.
Perdi o fôlego, esse era para ser um texto bem livre, bem solto e bem novo. Mas é velho, muito velho esse texto. Não vale a pena mesmo.


Fernanda Blaya Figueiró  

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