Proseando um pouco sobre o último poema

Proseando um pouco sobre o último poema

Acho que vou ter que me explicar melhor, não quero o exército nas ruas, o exército já está nas ruas, talvez as pessoas ainda não tenham percebido. Uma força armada é importante e necessária em qualquer país do mundo atual. Agora um avião da força área, pilotado por um militar altamente treinado, que tem um custo enorme para a sociedade, ser responsável por levar uma “autoridade” para fazer um implante de cabelo, enquanto o poder paralelo vai tomando conta do país, é um absurdo. Ano passado foi Florianópolis que viveu estado de sítio, Rio e São Paulo vivem isso há anos. Minas Gerais viveu a morte de uma moça por que ela era mãe de um filho de jogador de futebol e ele simplesmente mandou matar a mulher por questões financeiras e acabou revelando uma realidade de violência que as pessoas desconheciam. Porto Alegre convive com naturalidade ter um “presídio central” como se fosse algo normal, como se presidiário não fosse ser humano. Militares são funcionários públicos, como professores, como auditores, como cientistas, porteiros, juízes, promotores, motoristas e toda a sorte de cargos que existem para manter a estrutura básica funcionando. Reduzidos a burocratas sentados nos quarteis não servem para nada. Transformados em políticos, muito menos. Então para que eles existem? Para levar alguém para colocar cabelo na careca? Não pode ser, né? Eles existem para agir em casos graves como, por exemplo, se alguma outra nação ameaçar a “soberania” do país. Então se uma “força” não exterior, mas interior, põe uma população enorme em situação de risco e exitem milhares de funcionários públicos treinados para agir, porque manter essa energia levando políticos para implantar cabelos? Só faz sentido ter forças armadas se for para utilizar nos casos em que a lei permitir. Um professor universitário só se justifica se for alguém que vai ensinar, um médico só se for cuidar de doentes, uma faxineira se for limpar um local público, não a casa de uma pessoa.Um juiz se for julgar, um motorista público só pode existir se sua função for dirigir para uma causa pública, não pode, por exemplo, levar a esposa de alguém no cabeleireiro. Nada contra ir ao cabeleireiro ou cuidar da beleza. Ficar mais bonito faz bem, mas vai de táxi, ou de ônibus. Só tenha cuidado para que não joguem fogo no ônibus ou assaltem o motorista do táxi. Qual estado brasileiro, ou quais cidades, vão estar vivendo o horror no ano que vem? Espero que não seja o meu estado, a minha cidade, nem a de ninguém.


Fernanda Blaya Figueiró  

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