“ Brasil preso a lei do eterno retorno”.
Pela
primeira vez, desde o início dos protestos, há uma real ameaça a
democracia brasileira, agora que o tempo passou e o movimento ganhou
um formato intelectual, ou seja a massa ganhou um objetivo criado por
uma “elite”, o objetivo apareceu claramente em faixas e no
discurso: “a privatização das empresas de transporte”. A
imprensa parece anestesiada e um pouco contaminada com “a falta de
eficiência do transporte em metrópoles”, ainda reafirma mas são
concessões, que jogo está escondido nisso? Canais de televisão e
rádio também são “concessões”, vão querer acabar com a
iniciativa privada nos meios de comunicação também? O Brasil
compra, vende participa ativamente da economia mundial, “estatizar”
serviços seria um retrocesso e tanto. A presidente passeia em Cuba,
um pedacinho pequeno do mundo que embala os sonhos dos antigos
comunistas brasileiros. Tinha uma música que pode servir de
metáfora: “O Haiti não é aqui, o Haiti é aqui”... “Cuba não
é aqui, Cuba quer ser daqui.” O que está entrando em colapso são
as metrópoles, não só o “sistema de transporte das metrópoles”.
Nada é feito em termos de um “Plano Nacional de Mobilidade
Urbana”. Não houve um Plano, as metrópoles foram crescendo,
crescendo e hoje estão enfrentando os problemas advindos da falta de
planejamento urbano. Então pare tudo: construção civil, antes de
permitir novos alvarás de torres gigantescas é preciso saber: onde
ficarão os carros, haverá água e luz suficiente para a nova
demanda, haverá meios de transporte, coleta de resíduos, esgoto?
Mas não como os alvarás envolvem um funcionalismo corrupto, nada
disso é levado em conta.Vamos quem sabe rever também as concessões
dos meios de comunicação, avaliar a qualidade da programação, a
isenção política na geração de notícias, a possibilidade de
haver monopólio dos veículos de comunicação. Uma pessoa me disse
esta semana: estamos de volta a 64. Inicialmente argumentei que a
conjuntura internacional é outra, que não há a ameaça do Brasil
mudar para o bloco comunista, ou melhor que praticamente inexiste o
“bloco comunista”.Agora ver faixas pedindo “estatização”,
algo que recentemente houve com as concessões de pedágios das
estradas gaúchas (ainda não sabemos no que vai dar) é preocupante.
Será que os grandes do mundo vão aceitar esse passo para trás?
Qual o volume de “capital” que está envolvido em comprar e
vender para o Brasil? Agora vivemos numa democracia, com pluralidade
de ideias, com possibilidade de pensamentos divergentes, de correntes
políticas diversas, com discursos bem fundamentados. Faltam sim
partidos de confiança, políticos confiáveis. Não sou contra “um
grupo de pessoas querem estatizações”, sou contra as estatizações
e essa é a minha opinião. Se essa ideia prevalecer e for
predominante um dia: tudo bem viveremos isso. Quanto a conjuntura
internacional, vem mudando radicalmente nos últimos anos. A “Zona
comum do Euro” está começando a parecer uma grande e
incontrolável bagunça, mas aqui só sabemos o que a imprensa nos
permite saber. Repetir 64 seria uma grande bobagem, O Brasil e a
América Latina só perderam com o tempo das “ditaduras” que
“nuestros hermanos” também estão em uma situação bem
complicada ao que tudo parece. A questão dos protestos é política,
a “Copa” é só uma desculpa, não tem nada a ver, está sendo
usada para manipulação da opinião pública. Preocupação com a
saúde, educação, segurança, são jargões políticos, criar mais
grandes monstros estatais para pendurar a “companheirada” está
fora do tempo e seria um absurdo, se a iniciativa privada não dá
conta da qualidade da mobilidade urbana estatizar acabaria de vez com
qualquer possibilidade de crescimento das cidades e de
desenvolvimento do país. Os pouco “metrôs e ônibus” teriam que
durar mais uns vinte anos, até a perdida na história Cuba está
abrindo o mercado para o novo só a antiga esquerda brasileira para
falar em estatizações... Não percebem que são hoje o governo, só
sabem atirar pedra e estão estilhaçando a própria vidraça.
Fernanda Blaya Figueiró
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