Livro
IV de Poemas, Memórias e Olhares
E-book de autoria de Fernanda Blaya Figueiró
Direitos
autorais pertencentes a Fernanda Blaya Figueiró
Todos os textos e poemas fazem parte do blog www.fernandablaya.blogspot.com.br
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Viamão-
dezembro de 2013
Introdução
As vezes sinto uma enorme vontade de “juntar o rebanho e ver como vão as coisas". Então vi que a última reunião de meus poemas foi em 15/09/2012. Com o que chamei de "Livro III de Poemas ou Todas as mendigas tem o teu nome". Antes organizei “Poemas do deserto” publicado no blog e Arquivo Poético meu último livro impresso. Ainda fiz uma tentativa anterior com "Descontos : contos e poemas", que não funcionou muito bem, acho! Vou denominar esta quarta tentativa de ordenar o caos, pois para mim minha poesia é caótica e recorrente, neste Livro IV de Poemas, Memórias e Olhares. A prosa toda há de morrer pois é muito efêmera. É um bate papo com o dia-a-dia, com pequenas frações de realidade. Um blog de literatura nem deveria ter tanta realidade, mas é nela que estamos inseridos. Este livro se propôs a ser um diálogo com as “Mendigas Marias ou Marias Mendigas”, mas perdeu o sentido ao longo do tempo, acho que não tem uma linha invisível, só um monte de memórias e de olhares. Porque organizar? Talvez para salvar ou para findar. Para não perder. Organizo para o futuro. Há tempo que não imprimo mais nada tudo o que tenho escrito de um tempo para cá navega livre. Desapegadamente livre, só que as vezes parece que vai se perder se não colocar um nome. Estou carimbando meus ovos como diria o poeta.
Fernanda Blaya Figueiró
Aos olhos de Maria
A palavra contém todos os mistérios do mundo
Transcende e transforma
Tens uma palavra, pelo amor de Deus?
A
Om
É impossível escrever sem ferir
No agora ou no futuro
Quem escreve a mão reconhece
Que a caneta faz uma bela sombra
No papel
Minha adoração pela palavra é antiga
Sempre vai existir em mim
Antigamente as pessoas peneiravam
A sua imaginação
Hoje tudo é valido e nada tem valor
Maria é um ser que já perdeu tudo e
Não tem mais nada a perder
Olha para o mundo da margem
Eu ainda tenho muita coisa a perder
Antes de sucumbir a verdadeira arte
Não é a primeira vez que meu texto
É reprovado por conter ideias fortes
Sobre a vida na sociedade
Já tive que inventar outras Marias
Que a minha pareceu muito política
Maria, Maria é sobre política
A Paz custa caro e a
Guerra gera muito dinheiro
O caldo entorna quando
A guerra fica cara e a
Paz gera muito dinheiro
Esse é o ciclo
Buscamos heróis e
Logo os amaldiçoamos
Não tem lugar no mercado
Da atualidade para textos que
Refletem o que ninguém quer perceber
Assim
A poesia foi substituída pela auto-ajuda
O Escritor pelo Médium
O mundo cansou das histórias desse mundo
20 de setembro de 2012
É minha melhor idade
Estou na face da terra há mais ou menos
Quarenta e quatro anos
Quem diria?
Quando eu era pequena os velhos diziam
Depois dos quarenta o tempo voa
Muitos dos meus velhos amigos ainda estão por aqui e
Outros já partiram
Hoje quem nasce olha para mim e meus quarenta e tantos e
Digo o tempo voa
Crianças o tempo voa e como é bom
Voar nas asas do tempo
Aceitem este presente
Nada é real caminho silenciosamente
Em direção ao infinito
Para mim basta...
Esse leve passar
25 de setembro de 2012
Era uma vez
Um livro de capa feia
Passei por ele muitas vezes
Nunca parei e diziam-me é um bom livro
Eu olhava para a capa e não sentia vontade de ler
Tinha uma grande cantora que eu ainda não conhecia e
Hoje pergunto e se
Eu tivesse lido antes o bom livro e se antes houvesse
Conhecido tão lindo canto
E o Universo me responde
Não teria sido o tempo certo
Ouço o Universo e
Sei que tudo está sempre no exato lugar
Por isso não me ocupo de minha morte
Está onde deve e me alcançará
Certamente na hora certa
Vão com o tempo dizer de mim que era um tanto louca
Então deixa que eu mesma digo e reafirmo
Assim não paira dúvida no ar
Ando contente de ter novamente me ocupado da poesia
Prosear cansa e pouca coisa resolve
25 de setembro de dois mil e dois
Estou ausente no momento
Estive
Ausente
Estou
Ausente
Permanecerei
Ausente
Por um breve Tempo
O Tempo humaniza algumas pessoas e
Desumaniza outras
O que nos rodeia são só sensações e
Escolhas
Quem tem dificuldade em aceitar as escolhas
Alheias vive escondendo as próprias
Viver eternamente deve ser muito
Irritante
Uma hora a história acaba
A nocividade é também uma construção
Como a passividade
Toda a História é uma grande invenção
5 de outubro de dois mil e dois
A beleza simples
Há uma beleza que não é perceptível
Para alguns olhares
Há uma melodia que não é audível
Para alguns ouvidos
Há uma pele que não é tangível
Para algumas palmas
Há uma brisa que não é amável
Com alguns cabelos
Há um gosto que não é lembrável
Por algumas papilas
Há um odor que não é notável
Por alguns perfumistas
Há uma palavra
Como uma digital cada pessoa
É única e insubstituível
Memória
10 de outubro de dois mil e dois
Uma sentença
Um ponto branco no tecido preto
Um ponto preto no tecido branco
Um acerto
Um erro
Eu queria contar uma história
Me surpreendi
Tomada por uma única e antiga sentença
Esmagar e triturar histórias entre os dentes
Deixa na boca um gosto muito antigo
Estamos aqui apenas para isso
Aproveitar o dia como ele se apresenta e
Hoje está quente e pesado
Eu queria um Deus que fosse
Amável por ser amável e não pelo
Medo da punição e esse medo foi
Construído pela nossa cabeça
Eu queria um mundo que fosse suave
Para todos e essa ideia é um
Erro o mudo é suave e áspero
Toda a ideologia termina em guerra e opressão
Todas as guerras e opressões terminam com
Uma ideologia e esse movimento é como
Aproveitamos nossos dias até que
Não temos mais dias
Nessa forma e nesse mundo
16 de outubro de dois mil e treze
Desisto
De entender desisti faz tempo
Há flores de todas as cores na minha estrada
Depois da curva?
Não sei
Esse é a grandeza do
Livre Arbítrio
Ninguém sabe da tempestade ou bonança que
Há além do horizonte
Somos os únicos responsáveis por cada um dos
Nossos Passos
Não há garantia
Só a intuição e a
Capacidade de reconhecimento de velhos símbolos
De velhas ações
Quem tem algo a me dizer diga
Logo e olhando em meus olhos
Que imagino velhos conchavos
Nas meias palavras e pequenas
Atitude das mesquinhas conspirações
22 de outubro
Findando lentamente
É possível
Há indícios de
Que algumas pessoas
Morrem lentamente e digo
Que nada de errado tem nisso
Elas não demonstram muita pressa no
Andar tem um olhar um pouco vago e impreciso
Ocupam-se com muito cuidado de seu ser interior
São simples ou simplesmente são falam pouco
Ouvem muito mantém uma rotina de atos
Repetitivos e as vezes triste não
Se agaram desesperadamente
Ao conceito de viver
Existem apenas
E
Não está errado
Ir
Lento
Esquecido
Incoerente
Que
Daqui não se leva nada
Palavra
Nome
Memória
Alegria
Tristeza
Tudo fica
De herança
Refinados
O vento veio uma semana antes este ano e
A comunicação ficou assim só um sussurro
Numa fraca brisa entre os dois estados
Morrer lentamente
Viver intensamente
Morrer abruptamente
Viver despretensiosamente
Não é preciso temer nada
Tudo está certo e dancemos todos
Sós ou não
Que hoje há uma fraca brisa de entendimento
Ligando os mundos
02 de novembro
Só Ser
A alma
Pura que
Transcende
Sem seda
Sem trama
Sem fio
Feita de Luz
Vaga livre como
Espírito Sem
Gênero Sem
Limite até
Ser só
04 de novembro
A construção do Mito de ser humano
O único sentido da vida
É existir
No que consiste existir?
Consiste em estar atento
Estive ontem passeando entre uma
Incontável quantidade de livros e
Acredito que cinco ou seis
Abarcariam todo o conhecimento das
Fileiras e mais fileiras
Diante dessa realidade fiquei muito
Frustrada e ao mesmo tempo
Contente
Entra ano, sai ano
Nasce escritor, morre escritor
Agregasse técnicas
Sucumbem-se culturas e
As perguntas são as mesmas
Que fantástica conclusão para
Um pequeno grão de areia existente
Há uma peneira enorme e
Invisível
É no conjunto que a obra
Vira pepita
Que saborosa migalha
Apanhei na biblioteca
Do Tempo
Basta escolher algumas respostas e
Trilhar alguns caminhos para entender a
Complexidade simplória do todo.
10 de novembro de 2012
Algumas histórias
Necessitam do cobertor negro
Da noite
Precisam desse véu
Para acobertar a sua amargura
De onde vem?
Do Tempo das Cavernas
E são absolutamente verdadeiras
Não pode o ser de hoje querer sufocar essa
Verdade é preciso manter o fogo das cavernas iluminando a
Escura noite e afugentando as antigas ameaças
O fantasma da escuridão, de um colapso
Tecnológico e da estar novamente a humanidade imersa na
Luz prateada da lua esperando o amanhecer
Desarmada, capturável e desprovida
De todos os antigos reflexos e saberes
O fantasma do boleto a pagar
da ameaça do não emprego
da perda da beleza
da perda da utilidade do ser
do patrão não precisar mais de mim ou
de não haver mais o patrão
todos eles juntos não chegam aos pés do
fantasma de apertar o botão e a luz não responder
Quem está a nos domesticar? Teria o intento de nos ter
assim? É realmente bom ser assim?
12 de novembro
Um dia desses
Qualquer
Não vou mais aqui estar e
Esses versos todos já serão ultrapassados
O sentido dessa energia vai ser perdido e
Alguém vai, sim, reencontrar
Ou então
Vai encontrar o sentido escondido
Que de mim fugiu
14 de novembro
Nós, bruxas, não somos normais
Normais são todos aqueles que
Abrem os olhos pela manhã e acreditam que
Tudo esteve aqui, ao longo da noite, não se espantam mais
Nem com a morte de um pequeno pássaro
Nem com a magnificência de um dia brilhante de sol
Ou uma imagem capturada de nossa infinita beleza
Acordam e tocam a vida sem um bom banho de sal
Um patuá qualquer ou um pedido de permissão para o Universo
Permita-me continuar aqui? Por mais uma pequena porção de horas
Há guerras pelo mundo agora e
Que se mantenham longe do meu mundo
Que eu guerreie só as minhas próprias batalhas
Que por normais ou não
Algumas batalhas precisam ser
Vividas!!
17 de novembro
Nova imagem corporal
Amo minha nova imagem
Comprei hoje versos de 1971
Por um real
Não sei quem foi Nina Guadi
Nem como viveu
Não sei de seu exílio
Nem do que fazia
Há rumores de rebeldia
...“com a permanência de tôdas as coisas
que foram em nome do Amor.”
“tantas modalidade de dizer amor
na antiga Ladeira”
“na antiga Rua da Ladeira
Exatamente, ou inexatamente, encontrei
O livro na Antiga Rua da Ladeira
Podia dormir ali anos com sua plaquinha
Um real
Mas, não sei se essa poetisa é ainda moradora deste mundo,
Agradeço, do fundo da alma,
Pelos versos
A “galera” da contracapa
que devia ter vinte ou trinta anos em 1971
Me fez acordar para o passar do tempo
Os jovens já não carregam
Sacos e sandálias de couro
Entendo, aceito e amo
Minha imagem nova
Minha maturidade aos poucos
Compreendida
28 de novembro
Não me oponho, Maria!
Eram todos vivos os que em tua volta estavam?
Encontrei hoje, na praça, uma mulher que
Verdadeiramente falava aparentemente sozinha.
Muito magra, usava uma camisa branca com duas pequenas
Manchas de sangue
A praça não se opõe a sua presença e muito menos eu
“ Se tu não gosta de mim... não deveria estar aqui!'
Quem? Logo percebi que havia uma multidão
Ao seu redor. “Nenhum de vocês”
Ela travava uma batalha interna e externa
Você tem certeza?
De que tudo isso realmente existe?
Quem é essa pessoa? Ou Quem foi?
E a moça de uniforme? Existia?
Acho que a pessoa mais lúcida da praça era ela
As pessoa que tem muita, mas muita certeza de suas verdades
Perdem a capacidade de transformar e entender
São prisioneiras de seus conflitos tanto quanto ela
As pessoa de quem ela falava não estavam e ao mesmo
Tempo estavam ali
Não existiam e existiam ou existiram
Assim como o seu drama
E não é porque eu
Digo que existe uma mulher ou
Que eu negue: não essa mulher não existe
Que ela há de existir ou extinguir.
A mesma coisa acontece com deuses e homens
Adoro deidades e humanidades são tão incríveis
O que faziam ali atazanando a coitada
Toda aquela gente
Que não gostava dela?
Deixei ela lá na companhia de seus demônios.
A praça ficou quieta ouvindo, que fofoqueira.
05 de dezembro
Fácil?
Não! Não é nada fácil
Entender essa caminhada
Tínhamos medo dos Grandes animais
De sua fome ameaçadora
Tínhamos medo dos Tiranos
E seus exércitos cruéis
Tínhamos medo de Deus
Ou do que se fez em nome dele
Tínhamos medo dos Ets
De seu poder de abduzir
Tínhamos medo dos Ditadores
E das ideologia que alimentaram eles
Temos medo dos narcotraficantes
E de suas drogas
Os grandes animais nos temem
Os ditadores foram decapitados
Os tiranos perderam seus reinados
Deus foi negado como ser existente
Os Ets desacreditados
Tememos nossos jovens
19 de dezembro
As personas
As vezes creio que sou
mais de uma persona
Que minha máscara não é sempre a mesma
Imagino algumas
Eu
A bruxa
A menina
Maria
Isís e
O leopardo
Quando uma destas máscaras quer aparecer
preciso de recolhimento e calma
Elas aparecem na nuca da direita para a esquerda
rapidamente e tomam posse duram pouco
Só aparecem
Na hora que são necessárias
Em defesa de Eu
Vão mais rápido do que surgem fica no corpo
Um cansaço e a sensação de que um assunto foi resolvido
Não sou eu quem clama por elas
São elas que assumem o controle de mim
A pior é o leopardo sente odores, bufa, pesa e
não conhece a piedade
A bruxa brinca com o vento
A menina com a memória
Isís é uma deusa
Maria Mendiga
E eu sempre volto
Quem me ataca nunca sabe que diretório vai abrir
Isso, Kid, o velho
Charles Bukowski
Não conhecia
Cada um escreve dentro do seu universo
Do seu tempo e ninguém é obrigado a gostar
Se não todo violeiro seria um
Santana e não é bem assim que as coisas são
04 de dezembro
Triunfo sobre minha mediocridade
Se tudo isso existe
apenas para que eu
hoje aqui esteja e se
eu não estiver
Não trago nada hoje que sirva
Meu pensamento está desnutrido
Está faminto e
desacreditado
Como uma folha falha
Quem queria derrubar minha mente
Hoje conseguiu
É o repuxo forte que sempre existe nas tormentas
Alguns seres existem para desfazer dos outros
São sempre os mesmos
São treinados para destruir
As escolhas dos outros os incomodam
Há uma grande maldade nas pessoas boas
O sol tingiu minha pele de vermelho
Amo ter pele vermelha como os antigos
Guerreiros das Américas
13 de janeiro
De onde saiu este silêncio
Há um ruído no ar
Que faz lembrar os velhos gramofones
E um silêncio
Ancestral nas falas
Tenho me permitido sentir a
Gravidade das coisas
A força que rege
As leis da natureza
A renovada energia de
Ciclo novo
20 de janeiro
Símbolos
Havia, na minha cidade, uma
Senhorinha que sempre alimentava
Os cães de rua
Ontem ela não apareceu e eles ficaram
Na praça esperando
Algumas existências, quando chegam ao fim,
Deixam um vazio.
Algumas pessoas, sob o escudo da razão,
Querem forçar os religiosos a ficarem confinados
Nos seus Templos
Querem dizer que alguns símbolos os ofendem
O que ganham com essa forçoso movimento de
Negação?
Todos os povos tem alguma forma de fé
Os ateus tem fé na não existência dele
Que beleza eles podem
Noutros tempos, já houveram
Estatuas de Déspotas
Ou muros de vergonha que
Precisaram ser derrubados
Uma cruz, um catador de sonhos, um tambor,
Uma corrente de bandeirinhas coloridas
Um penacho, um totem,um arco-íris,
Uma pirâmide, um retrato do Che
Um pôster de Einstein, um rosário
Uma estrela solitária, um candelabro de sete velas
Um véu de ali babá, um chá de ervas
Uma serpente, um tigre ou um dragão
Nada vale uma pequena guerra
Os cães do centro estão com fome e saudade de
Sua senhorinha e ela era tão quietinha
Com seus cabelos batendo na cintura, uma longa saia
Desbotada e uma oração impressa
Não do meu Deus, mas de um bom Deus
Meu gasto dólar dobrado na carteira
Tem símbolos e traz sim boa sorte
Só
Para quem acredita
07 de fevereiro
Aos “supostos” leitores
Todas as guerras
Devem ser evitadas
Até o ponto em
Que não aja outra
Solução que não seja a de
Vivê-las
E não há forma sábia de
Viver uma guerra
Porque nenhuma é sábia
As vezes procuro e não encontro um
Sentido para a minha escrita
Não entendo bem quem eu sou no Mundo Virtual e
O tipo de poder que emana deste Universo Virtual em
Que tudo parece muito simples
Mas que pode ter uma profunda consequência
Na Realidade
Nós, blogueiros - os escritores de hoje,
Não somos “pensadores”, nem filósofos
Esses constroem complexos e testados
Sistemas de um pensamento sobre uma época
Nós somos narradores
Contamos o que estamos sentindo
Não encontro, muitas vezes,
Coerência nesta longa escrita em
Prosa e verso
Porque é arte e não ciência
As vezes sigo as pegadas dos “supostos” leitores e
Imagino que alguém está buscando construir
Algo
Será que existe algo que conecte um post ao outro?
12 de fevereiro
Já deixei de ser
Tantos personagens
Meu coração está leve
Não se ocupa mais com o
Pensar alheio
Só os loucos podem experimentar a
Libertação de dizer o que ninguém quer ouvir
Ver e sentir o que a ninguém interessa
Rir por dentro
Pode subestimar minha escrita
Rir da minha existência
Debochar da minha falta de rima
Eu te permito
O que você hoje chama de
Tolice e ao acordar redesenha e chama de
Meu
Não é nem meu nem seu
Não é
05 de abril
Envelhecer bem
É saber ir se
Desatrelando da vida
Ir deixando para trás
O que nos prende a ela
Beleza,poder, relacionamentos
Amores, ódios, vaidades
Posses e posicionamentos
É não achar mais nada de nada
Ter o riso solto e as
Lágrimas secas
Entender que
Está certo
Tudo está certo e sempre esteve
Como diria o poeta
Estou na estalagem esperando a
Carruagem
14 de abril
Eu lembro
eu sei
eu entendi
as coisas mudam sem mudar
09 de junho
Observação: junho e julho foram meses complicados, escrevi muita prosa neste período que não pretendo compilar, mas este texto foi censurado. Muita gente não gostou dele então coloca aqui para não censurar novamente. Certo ou errado em determinado momento ele existiu, não para dizer o que as pessoas queriam ouvir, para dizer o que o texto queria dizer. E trata um pouco de poesia, de memórai e de olhar.
Sem correspondente
A poesia desnuda a alma em cartas abertas lançadas o esmo, não anônimas mas sim abertas. Toda a minha escrita vem por mim assinada ou assassinada. É sempre o meu olhar. Meu olhar observando a ti leitor ou a mim escritora, há mensagem superficial e subjacente e uma voz. Uma voz humana ou sobre humana? Não passam de um amontoado de palavras que descrevem imagens e sensações. Não há necessariamente um pensamento mas sim um olhar, um sentir a realidade. Nossa sociedade está sem limites definidos, os contornos do real estão nebulosos, tateamos no dia a dia buscando um porto seguro. A arte nunca nos dá essa segurança ela apenas aponta horizontes. O pêndulo pendeu muito para o lado do libertino, vivíamos uma sociedade onde nada era permitido e agora estamos no lado oposto em que tudo é permitido mas falta um referencial. Estou a conceituar? Porque não? Porto Alegre deve estar em festa pois iniciou uma caminhada pelo não aumento da passagem e agora ela cresceu e toma conta de São Paulo, a revolução contra o preço da passagem deve estar deixando alegres todos os seus mentores e depois? Quando os jovens estiverem com a cabeça mergulhada na água do sanitário, ou pendurados em varas tomando choque nas partes íntimas. Você dirá: mas não era isso que queríamos, era uma revolução pacífica. Nenhuma revolução é pacífica. Porque a revolta, remove coisas consolidadas e abre o solo para o plantio de uma nova cultura. Ação-reação-ação. Belos hinos fazem a guerra, nobres ideias alimentam a morte, o espetáculo dos raios e trovões antecede o da tormenta. Tudo renova nos dias que se seguem, sim, mas com um sabor amargo. Não acredito muito no que está acontecendo acho que é só uma acomodação mais do que um grande período de rupturas, o mundo ainda não parece pronto para romper com o atual sistema. Há muito o que ser consumido ainda. Usando uma metáfora que faz parte da minha formação cultural: está o universo a procurar um justo entre ímpios? Não que seja uma questão moral mas uma falta de paradigmas, de limites. Você quer transporte e não quer pagar por ele o valor que é necessário, você sabe da inflação mas nega que ela altera os valores; você quer ser remunerado e não quer remunerar; você quer férias mas não quer dar férias; você quer consumir e não ser consumido; você quer ser louco mas não ser chamado de louco; você quer usar drogas e não quer a violência das drogas ou a sua dependência; você aceita a miséria mas quer que ela respeite sua fortuna; você quer ser um revolucionário e não quer o retorno a repressão; você quer trair mas não quer ser traído, quer fazer greve mas quer receber pelos dias parados; quer ser amado e não quer amar. Ação-reação-ação. Minha escrita é um jeito de olhar e não necessariamente coerente ou revoltado, é um olhar que nem sempre vai ao fundo do poço. E a sua revolta que medida tem? O “Ogro da guerra” quando desperta não tem controle, ele é autômato. Leva as coisas ao seu modo, com sua energia própria, que vem de uma ancestralidade destrutiva. Uma guerra é uma guerra, quem busca essa energia tem que estar pronto para o que ela traz, muitas vezes destrói tudo e salva apenas as baratas e ratazanas que se escondem e sobrevivem. É justa a nossa realidade? Nem um pouquinho justa. Como ajustar? Vamos levar a realidade a costureira. Foi um mês de pouca poesia.
12 de junho
Simulação de Fim do Capitalismo
Como seria?
- Fechamento de todas as multinacionais
- Fechamento de todos os Shopping Center
- Fim do cartão de crédito
- Fim dos bancos
- Fim da Industria e do Emprego
- Fim dos supermercados
Será que as pessoas pensam no que falam?
17 de julho
O que se passa?
A arte perdeu alguma coisa
No meio do caminho
Não espanta nem encanta
Não me espanta não me encanta
Mas não a é arte é o excesso de razão na arte
Uma ingenuidade boba nas ruas e uma volta
Sem volta no tempo
Ninguém mais acredita que o homem foi a lua ou
Muito menos que tenha voltado
Foi sim e voltou sim
Fica mais bonito que tenha ido e que
Tenha voltado
Então porque não venceu a morte
Porque ela é invencível
Só por isso!!
31 de julho
Minha popular arte
A verdade
Aparece
Sempre
É um tipo de mistério
Que constitui o tecido
Da sociedade
Eu sou escritora
Com mérito
Sem mérito
Que importa?
A quem importa?
Eu serei mesmo escritora?
E agora? Será que me chamo José!
22 de agosto
O Ipê da tapera floriu
Não para ser admirado
Ou para ser cantado
Floriu
No meio do nada
Pela primavera
Preciso desconstruir algumas coisas
Isso me difere das flores da paisagem
É primavera e
Seria época de florescer
Poesia
Mas a primavera sozinha não
Tem esse encanto em nós
Tufões, explosões, massacres
Nos deixam em estado de alerta
Neste estado a poesia desaparece
Imersa na razão a sensibilidade
Congela
Ficamos assim de olhos arregalados
Ouvidos ligados e prontos
Prontos para encontrar a saída mais próxima
Tirando isso é primavera e a vida
Corre lindamente com uma chuva de
Cem anos, uma umidade pegajosa
Um frio fora de tempo
23 de setembro
Observação:
Outubro, novembro e dezembro foram meses muito bons mas de pouca poesia. Isso acontece de tempos em tempos, a poesia precisa captar o mundo para se renovar. Isso é bom! E mostrar que poesia é poesia não tem hora marcada, não bate ponto. Acho que descobri o motivo de fazer este pequeno livro, a oculta vontade de auto-reconhecimento. Onde foi mesmo que parei? A prosa continuou, a vida continuou mas a poesia ficou quietinha esperando para voltar.
Fernanda Blaya Figueiró
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