Escrever por escrever

Escrever por escrever

Há pouco falava com a poetisa Angelita Sores, por mensagens instantâneas, sobre como mudei meus objetivos com a literatura. Antes escrevia pensando em um dia tornar os escritos em livros, participava de saraus, badalações. Hoje cansei, escrevo por escrever, publico no blog, em paginas sociais e é isso. Ando cansada até de escrever bobos “e-mail”. A literatura já me deu muitas coisas entre boas e ruins, muitos sentimentos e uma voz, antipática para uns simpática para outros. Porto Alegre vive mais uma Feira do Livro, a cidade é tomada por um frenezi cultural muito positivo. O mundo dos escritores e poetas é muito competitivo e na minha opinião atende a duas grandes correntes: a literatura comercial e a literatura política. Para tornar-se uma voz expressiva o poeta ou escritor tem que ser bom em uma das duas correntes, ou vende bem ou se torna uma força política. Eu acho que optei por trilhar as margens da escrita,(não falo em literatura, pois muito do que é escrito fica muito longe de ser literatura. Incluíndo a minha própria ação com a palavra) é um bom lugar para ficar. A feira é um momento especial da vida do Rio Grande do Sul, pois vem gente de toda parte para estar nela. As pessoas aproveitam a feira para ver velhos amigos, circular entre os livros, comprar, viver o momento. Acho que ser uma blogueira é ótimo pois alivia o peso da sua opinião. O seu peso no mundo. Uma pessoa que não precisa atender a uma demanda comercial ou política é muito mais livre para ser quem quiser inventar ser. A gente inventa e depois desinventa. Nesta brincadeira já fui “presidente” de associação, locutura de rádio, roteirista de rádio novela, contadora de histórias, declamadora,blogueira... Tanta coisa já fui, tanta coisa deixei de ser e esse movimento é a vida acontecendo. É bom ser volátil.


Fernanda Blaya Figueiró  

Comments