Evitando o pensamento fundamentalista
As pessoas comuns estão muito
assustadas com a violência, não sei se isso acontece só no Brasil,
mas as últimas informações sobre a situação desumana que
encontram-se os presídios e a liberação de presos perigosos por
falta de local para mantê-los deixam uma sensação de impunidade
muito grande. Quem são e o que fazer com os indivíduos que
ultrapassam a linha e enveredam para o crime? Há crimes nobres e
crimes não nobres? A cadeia é uma punição eficaz? Não teria como
mudar esse sistema de controle social?
A vida é uma atuação, uma ação no
mundo, ao longo da nossa existência vamos moldando a realidade,
vamos nos transformando e escolhendo caminhos. Claro que nem sempre a
escolha é nossa, em alguns casos o mundo atua na nossa vida. A
violência sempre existiu, sempre esteve presente, de uma ou outra
forma. De tempos em tempos ela cresce e vira guerra. Quantos por
cento de nós são violentos e quantos não são? Será que realmente
há um crescimento ou a escalada da violência é proporcional ao
crescimento da população? Porque estamos nos sentindo tão
inseguros e ameaçados. Porque imaginamos que há um paraíso em
algum outro lugar. Uma terra de leite e mel, um lugar de fartura onde
o sol é menos escaldante, onde a água é pura e limpa. Onde os
homens são todos irmãos e não há escravidão, fome, violência,
nem maus tratos... Há uma utopia, e a crença nela torna
extremamente fácil tornar-se um fundamentalista em qualquer coisa.
Imaginamos que agindo de uma e de outra
forma estaremos seguros, protegidos. Que seremos parte de um grupo
privilegiado ou melhor do que os outros grupos... As pessoas precisam
acreditar em alguma coisa e desta necessidade surgem as obsessões e
o enclausuramento das ideias e dos conceitos. Um fundamentalista não
tem olhos para mais nada do que para a sua própria atuação. É
capazes de matar ou morrer para consolidar a suas ideias e perpetuar
a sua existência. Como coexistir com o fundamentalismo e não cair
nele? Abrindo a mente para outras possibilidades. Quando discutir,
ponderar, criticar, dialogar ficar impossível temos um sinal de
alerta. Quando a impossibilidade de permitir outro ponto de vista
acontecer o fundamentalismo se faz presente. Será que o
fundamentalismo cresceu ou sempre foi assim? Escrevi este texto
segunda feira e fiquei com ele no papel, pensando se deveria ou não
dar forma e refletir sobre esse assunto. Mas ele parece estar em
todos os lados, ao longo da semana, então resolvi “soltar a fera”.
Como diria o mestre Raul “eu prefiro ser
essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada
sobre tudo... Sobre o que é o amor... Sobre que eu nem sei quem
sou”...
Antigamente dizia-se que com os loucos
não se discute, hoje é com os radicais... Não sei se há
diferenças entre uns e outros.
Fernanda Blaya Figueiró
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