Dê um tiro em sua televisão
Queridos leitores eu gostaria de propor
que se, ao longo desta semana, algum jornalista iniciar a sua fala
dizendo: “ uma manifestação que começou pacifica... Antes do
mente jogue uma pedra ou dê um tiro na sua televisão, ou uma
alternativa menos cara troque de canal. Parem de mentir sobre isso,
as manifestações que ainda estão acontecendo tem um só objetivo
acabar com o pacificamente. As manifestações tem o objetivo de
terminar em pancadaria, desde o primeiro minuto.
Estive visitando uma pequena parte da Bienal do Mercosul, achei muito interessante. Se eu fosse dar uma
palavra seria ausente. Os museus foram desnudos, principalmente o
Memorial e o Margs e essa nudez é muito democrática porque faz a
gente ver o mundo como ele já foi com janelas abertas para a rua,
com luz entrando, com parquê bem lustrado. Imensos espaços ociosos transportam ao passado e o vazio joga para o futuro. O presente se
faz ausente de alguma forma. Quanto a ideologia apocalíptica da
autodestruição da natureza humana, tudo bem gurizada, se vocês
acham que é assim, eu aceito. Fiquem tranquilos. Assisti pela
segunda vez ao Tempo e o Vento, gostei muito da montagem que foi
feita, a obra de Érico Veríssimo foi muito bem retratada, parece
que algumas pessoas criticaram a música final do filme, que falta de
coisa para criticar. O tempo não para e a música final, em inglês,
liga os personagens ao presente, o vento continuou ventando. O elenco
se superou ao dar vida ao imaginário do escritor. Quem puder deveria
ir ao museu e aproveitar o espaço livre entre as engenhocas e as
estruturas de papelão. Há uma floresta de eucalipto escondida em
todo o papelão.
Fernanda Blaya Figueiró
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