Crônica: Se há um futuro?

Se há um futuro?

Mas é claro, como a luz da aurora e nele estarão todos os elementos que compõem o agora. Será poluído, depredado e escuro? De jeito nenhum! Perdi a ilusão de que o amanhã será pior do que o hoje, ou do que o ontem. Esse "papo  eco" recria as mesmas coisas que sempre limitaram a humanidade “medo e culpa”. Esse é o mecanismo básico. Sem a crença num diabo para atormentar os adultos ou um bicho papão para atormentar a infância, a lacuna foi preenchida pela possibilidade da auto-destruição: “ o consumo excessivo”. Reinventamos os sete pecados capitais ou os dez mandamentos, para introjetar medo e culpa. Não somos culpados de existir, a realidade existe para nós, apesar de nós.  A natureza vai sobreviver ao ser humano. O ser humano é uma parte da natureza, a parte nociva? Talvez. Assim o mais grave dos erros precisaria acontecer, o mais preciso acerto também. A única questão da vida é viver. Quem pensa diferente seja bem vindo. Se você pensa que para dar sentido a sua vida precisa construir um longo bloco de ideologia: seja feliz assim. Se achar que deve impor isso como verdade saiba que será contestado. Viver, não necessáriamente viver intensamente, verdadeiramente, apaixonadamente, ou transloucadamente. Viver. Ou talvez viver intensamente, verdadeiramente,apaixonadamente, transloucadamente. Não há regra. Não há fórmula matemática. Isso aqui é uma experiência. Alguns rios ficarão limpos e cristalinos outros morrerão pela podridão. E no futuro, quem sabe, ambos se encontrem e um precise  do que o outro tem.


Fernanda Blaya Figueiró  

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