A palavra na arte

A palavra na arte


Esta semana assisti a uma bela montegem do balé o Lago do Cisne, na televisão, achei lindo. Normalmente prefiro artes que façam o uso da palavra, por exemplo entre o balé e uma ópera prefiro a segunda, assim como entre a música vocal e a instrumental também opto pelas cantadas. Mesmo nas artes visuais prefiro uma obra que conte uma pequena ou grande história, uma imagem que leve a imaginação a descobrir palavras, a encontrá-las no contexto.Como se na arte as palavras fossem seres e não a representação dos seres. Nestes dias ando um pouco sem inspiração, sem motivação para escrever. Estes são os preciosos tempos de ler o mundo e absorver a realidade. Fui ao memorial Erico Veríssimo, recentemente inaugurado no centro de Porto Alegre, fiquei encantada com o trabalho dele com a palavra. Os originais com inúmeras correções e mudanças mostrando a parte oculta ao leitor, as opções que o autor toma ou longo do processo de escrita. Nos dias de hoje isso está muito mais mecanizado, basta selecionar e deletar e o “erro” ou melhor a primeira opção desaparece. Jornada seria o primeiro título pensado para a trilogia “O tempo e o Vento”, que no fundo é uma jornada pelo tempo e o vento, toda ela parece alicerçada na primeira frase de Ana Terra. A população deveria aproveitar bem aquele espaço para que ele se torne realmente permanente. A cultura e todas as políticas públicas passam por uma problema constante: “cada novo governo tenta apagar o que o outro realizou e marcar a sua presença”, como um cão que faz xixi nos cantos para marcar o seu “território”. Quem mantém as coisas acontecendo é o povo. Os espaços, ideias, projetos, monumentos só permanecem se a população se apropriar deles. Caso contrário eles fenecem. Cada nova gestão, seja pública ou privada, tenta desfazer o que a anterior havia feito, como se educação, cultura, memória fossem instrumento de “lavagem cerebral”. Há pouco tempo sai uma noticia sobre um material didático, que custou uma fortuna para os cofres públicos, que foi aposentado antes de ser utilizado. Caixas e mais caixas de livros novos descartados, neste caso parece que houve uma intervenção da justiça determinando que o material fosse utilizado. E está certo. A educação e a cultura não são palanques nem “cabos eleitorais” de uma ou outra ideologia. Tenho observado a jornada de muitas associações e iniciativas e parece que alguns grupinhos preferem assistir a morte de uma instituição do que abrir mão do controle sobre ela. Como se iniciássemos coisa para nós mesmos e não para que elas existam além de nós. Neste sentido cada ano que passa a Feira do Livro de Porto  alegre, a Flip, a Jornada Literária de Passo Fundo, os Desfiles Farroupilhas, o Carnaval ganham uma importância maior, são maiores do que a comundiade que os criou. Quem resolveria terminar com o carnaval e resolver que agora ele se chama por exemplo “Festa Nacional do Samba”? Carnaval é carnaval. Desejo desta forma que o memorial de Erico Veríssimo torne-se permanente. Vida longa ao Rei!!!!


Fernanda Blaya Figueiró  

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