Baronesa de São Lucas
E pensar que nestas terras um dia houve
um baronato. Um barão e uma baronesa. A estrada sepulta terras antes
férteis de lavouras antigas. As palmeiras e coqueiros são o que
restou deste antigo tempo de beleza e mansidão. De guerras e de
contendas. De longas saias de seda e perfumes vindos de além mar. A
vida, meus amores, é esse continuo de pequenas batalhas. De nós
ficará só o pó da estrada, da figueira que nasce no butiazeiro
ficará o testemunho de uma tentativa de controlar a natureza. Vai
sim ganhar a forte árvore é o princípio da floresta. O butiazeiro
ali está para servir. Um servo da grande figueira. Pouco é sabido e
quase ninguém essa história interessa. Há apenas um túmulo com
uma lápide e nada mais. Algumas esquecidas palmeiras e um velho
casarão, que brevemente já não mais existirá. Chimango. Eu tinha
uma avô chimango e um avô maragato. Quem não tinha nestas terras
grandes do Sul? Quando uma contenda acontece são todas as contendas
acontecendo. Quando uma paz se alcança são todas as pazes que se
alcança.
O fato de uma baronesa ter vivido aqui
é só um fato pouca coisa tem a ver com a história que agora vou
contar. Haverá um tempo em que nem um só de nós restará. Todos já
teremos partido e haverá aqui um povo. Esse povo vai saber que um
dia aqui morou um barão e uma baronesa. Se foram felizes, se eram
bons, se,se,se Não importará. E esse povo vai brigar e muito e vai
encontra a paz e muito. Porque essa é a natureza daqui. Essa é a
natureza do ser humano.
Bom vinte de setembro para todos os
gaúchos e gaúchas de todas as nações.
Fernanda Blaya Figueiró
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