A desmetropolização do mundo.

A desmetropolização do mundo.

Quem já está com as pedras nas mãos pode jogar agora e abandonar o texto ou ir até o fim e jogar lá na ideia, ou jogar fora. Não joguem em mim pois o que  vem volta e minha mira é boa. Há alguns anos a educação já pensava sobre as mudanças que a internet faria no mundo,  uma das previsões era de que as cidades ficariam menores e mais ágeis, porque sem a necessidade física de ter escritórios com grandes aglomerações de funcionários os problemas de pico  de movimento, de superlotação das lojas, bancos, etc, seria solucionado. Uma maior  divisão das jornadas de trabalho também melhoraria a afluição nas grandes cidades. No interior as pessoas hoje tem acesso aos mesmos benefícios que nas metrópoles. Esse movimento já está acontecendo, tenho vários amigos e eu mesma que não precisam mais passar pelo stress dos horários de pico. Acho que um dos maiores problemas das nossas cidades é que mantém a mesma lógica de antigamente. Com o incentivo que o governo está dando, polêmico é bem verdade, para que hajam mais médicos no interior a tendência é de que as cidades ganhem com isso. Médicos gostam de ir ao cinema, ao teatro, a restaurantes,comprar em boas lojas, etc... Uma cadeia de serviços acaba sendo movimentada e a população local tende a se sentir mais valorizada e atendida em suas necessidades básicas. Claro que terão que haver investimentos em hospitais, maquinário mais sofisticados de exames e  um vínculo entre estes profissionais e os grandes centros na forma de seminários, cursos de qualificação, de aprimoramento. Quem vai largar as metrópoles e ir para o interior? Como acaontece em quase todas as mudanças na nossa história irão os pioneiros e os mais necessitados. Existe uma parte da humanidade que é livre e gosta de migrar e outra que é fixa, não sai do seu lugar por nada, mesmo que as condições piorem no lugar em que estão. Eu acho que sou da segunda parte e não voltaria para o interior. Parece que de tempos em tempos a humanidade muda, mudam os conceitos de cidade, de país, de governo, de propriedade, de Estado, de família. Parece slogan de propaganda, mas: “a humanidade caminha, se coloca em movimento e reestrutura as relações ciclicamente”. Estamos há muito tempo num só ciclo, numa só solução. Talvez não seja hora de ampliar as cidades grandes, construíndo mais coisas nelas,  e sim de descentralizar e capacitar as cidades pequenas. Criar vias de acesso entre o interior e as capitais e dar aos profissionais que tem o espírito de migrante bons motivos para irem para o interior. Na Grécia, pelo que ouvi no noticiário, estas mudanças estão sendo compulsórias, parece que estão lá recolocando os profissionais sem que eles queiram, isso tende a dar errado. Aqui o governo deveria usar uma palavrinha no novo projeto de incentivo para que os médicos se mudem para o interior: Optativo.  O médico, não classificado nos cursos de pós-graduação como as residências,  que quiser poderá ao final do curso prestar dois anos de serviço no interior. O compulsório é uma agressão ao profissional, o optativo não. Com o tempo vai ter médico brigando por um “lugarzinho ao sol no interior.” Porque viver no interior pode acabar se tornando muito melhor e mais seguro. Quanto as  metrópoles? A única coisa que não pode acontecer com elas é o abandono pois onde o dinheiro sai entra uma subeconomia que eleva os índices de violência,podendo  causar  uma desvalorização do trabalho e  uma depreciação dos imóveis . Outra coisa que tende a acontecer, já falei sobre isso, é a queda das fronteiras geográficas e das “bandeiras” mas isso já é para mais tarde.

Fernanda Blaya Figueiró

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