Exercício de roteiro

Djine e eu aceitamos o desafio de trabalhar um texto em roteiro e esta foi a minha produçao, publico aqui para tornar público.
Fernanda Blaya Figueiró

Exercício: Transformar o poema A Flauta-Vértebra de Vladimir Maiakóvski em uma cena para representação

Título: Porque Maiakóvski?

Roteiro de Fernanda Blaya Figueiró

Personagens -
Compradora – Mulher aposentada
Vendedor – Homem mais velho
Ladrão – Jovem viciado que rouba para sustentar o vício
Faxineiro – Homem que observa a cena
Porteira – Mulher meia idade persegue o ladrão

Cenário – Uma bancada de livros em local público

Sinópse: Durante feira uma mulher compra livro e logo em seguida é roubada, mas negasse a entregar o livro.


Cena única

Ao abrir as cortinas no palco os atores estão parados como se estivessem em uma fotografia, o vendedor atrás do balcão, a compradora na frente a cena é vista pelo público de lado. O faxineiro aparece no canto do palco com um rodo de limpeza e um balde.Coloca o pano no balde e descongela a cena.

Compradora
- Boa tarde! Só há livros sobre dramaturgia?

Vendedor
- O simpósio é sobre isso, então os livros são selecioandos... Não adiantaria...

Compradora
- E esse?

Vendedor
- É um coringa... sempre trago e sempre vendo... Custa...

Compradora
- Eu, vou levar!

Faxineiro
Aproximasse e toca com o pano no sapato da compradora

- Desculpe-me!!

A mulher consente com a cabeça sem olhar para ele. A cena congela novamente, só o faxineiro movesse e recita os primeiros Versos

Faxineiro

A FLAUTA-VÉRTEBRA

A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e
[ celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.”

Coloca o pano no balde e o movimento retorna

Vendedor

- Vocês ouviram???

Compradora

- Parecia “ A Flauta-vértebra”... senti um frio repentino...

Vendedor

- Sim, mas o livro está fechado... Ouvi os versos de Vladimir Maiakóvski!

Compradora

- Com toda a certeza pareciam os seus versos...

O faxineiro movesse e não é percebido até mergulhar novamente o pano no balde no momento em que o ladrão esgueirasse no canto do palco.O jogo congela novamente.

Faxineiro
Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.”

No jogo do balde a cena retorna

Compradora
- Aqui está!! O senhor está brincando comigo??

Vendedor
- Não senhora... não sei o que está contecendo imagino que seja uma peça...

Compradora
- Uma peça de algum gaiato??

Vendedor
- É um simpósio de dramaturgia, lembra?? O seu livro...

Compradora

- Obrigada, essas crianças estão a brincar com os velhos... Pensam que somos tolos... Ultrapassados! Rabugentos a contar velhas histórias...

A compradora deslocasse pelo palco e bate no balde, novamente a cena congela como numa brincadeira só o faxineiro destacasse

Faxineiro

“Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.”


O Ladrão entre em cena e anuncia o assalto
Ladrão
- Velha!! passa tudo duma vez... Eu tô armado!!!

Compradora
- Tome( passa a bolsa e tudo o que tem menos o livro)...

Ladrão

- O Livro!!!

Compradora
- Não!!! O livro não!!! o que você vai fazer com um livro???

Ladrão
- Não é da sua conta, velha nojenta, passa logo...
O ladrão empurra a compradora e pega o livro, a porteira entra em cena e esbarra nele, puxando o livro; o jogo do balde congela novamente a cena

Faxineiro

“esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

O faxineiro deburra o conteúdo do balde e a cena descongela, a porteira persegue o ladrão a compradora volta para a banca, o vendedor observa

Faxineiro
- Porque Maiakóvski?
Compradora
- Por acaso
Vendedor
- Porque vende
Porteira
- Porque é belo
Ladrão
- Porque preciso de dinheiro
Faxineiro
- Ninguém entende seus versos
Compradora
- Não é verdade
Vendedor
- Isso é mentira
Porteira
- Tanto faz
Ladrão
- Não faz sentido
Faxineiro
- São só palavras
Vendedor
- Eu sempre trago
Vendedora
- Eu comprei
Porteira
- Eu recuperei
Ladrão
- Eu perdi
Faxineiro
- Poque não???


Fernanda Blaya Figueiró

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