Entendendo os Protestos : Eco-feliz x Eco-guerrilheiro

Entendendo os protestos: Eco-feliz x Eco-guerrilheiro

As pessoas estão tentando entender a onda de protesto no Brasil, para mim ela tem uma clara base o movimento: Occupy Wall Street e as discussões dos últimos Fórum Sociais Mundiais. Participei de algumas edições mais como observadora e já havia uma clara distinção entre um grupo que defende a sustentabilidade, os cuidados com o meio ambiente, dividido entre pacifistas e ecoguerrilheiros e a corrente mais partidária, sindicalista, mais revoltada. Para mim esta reação popular vem se avolumando há mais tempo e as atuais manifestações tem uma relação com uma nova forma de pensar a sociedade, o que ainda não consigo entender e visualizar é que outra forma de relação entre remuneração, trabalho, benefícios sociais e de gerenciamento das coisas públicas surgirá. Estariamos diante do fim do presidencialismo e da república? O que entraria como opção de ocupação do poder? Ontem eu postei uma opinião de que a presidente Dilma deveria convocar as Forças Armadas principalmente para apaziguar o Rio de Janeiro, onde foram vistas imagens de “manifestantes” espancando policiais e destruindo prédios históricos, fui “vaiada” mas quando foi preciso chamara as forças armadas para “pacificar as favelas” ninguém achou que houve excesso ou que era uma coisa errada, porque era “fora do centro” e combatendo “o crime organizado”. Há manifestantes que não querem a violência e há também os que querem a guerrilha. Bem o governo precisa sim se preparar para ter que fazer uso das forças armadas para retomar a ordem, caso a coisa saia do controle, principalmente para garantir a Democracia. Soube que o Rio de Janeiro e outros estados pediram o auxilio da Guarda Nacional e fizeram bem. Eu não tenho uma boa memória mas guardo imagens de coisas bem parecidas que aconteceram há pouco tempo no Uruguai e na Argentina, na Inglaterra, além da Turquia que pede quase as mesmas coisas, com a diferença de que aqui tudo é muito maior, temos uma grande população e com o evento da Copa das Confederações “a oportunidade fez o ladrão”. Lembro também que houve um outro evento no Rio de Janeiro, em que antes de tudo foi feita uma “pacificação” com a presença de tanques nas favelas e um grande efetivo policial nas ruas, quando aos gastos com a copa no meu entender a reivindicação é tardia, pois ninguém pensou nisso antes, é só um pretexto para criar mal-estar político, só agora esse discurso apareceu meio que “plantado". O Brasil  faliria por causa da Copa? Duvido muito, falirá se continuar permitindo o individamento indiscriminado da população, dos aposentados, se negligenciar a modernização das vias de escoamento da safra, se usar a ocupação territorial como plataforma política e tirar a força produtiva do campo, se “matar a indústria” onerando com impostos e não oferecendo infraestrutura básica. Por exemplo agora foi instituído o Vale-cultura, uma maravilha cada empregado, dependendo de uma faixa de salário, receberá um vale de cinquenta reais para gastar com cinema, teatro, livros etc... Só que cinquenta reais muitas vezes é o valor pago de outras tarifas que as empresas não conseguem pagar. Onde acabará este vale? No preço final do produto, logo no aumento da inflação. Eu também quero mudanças só não sei quais e como serão e acho que elas já estão acontecendo, a poeira vai baixar, até porque deve chover nos próximos dias e tudo vai voltar a normalidade. Depois disso é preciso entender que forças estão envolvidas nesse movimento e que ações serão tomadas, agora, mais uma vez na minha opinião, não é um movimento só brasileiro, tem uma base, um discurso político externo e interno ou seria global? Mas a grande maioria é de pessoas comuns que não entendem bem o que estão buscando e estão sendo manipuladas ingenuamente.

Fernanda Blaya Figueiró


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