Depois da possibilidade da Morte de
Deus
Com o amplo acesso as
informações vivemos num mundo cheio de notícias, a maioria
tratando das desgraças e da escalada da violência. Não sei se há
de fato uma maior violência do que nas Eras anteriores ou se é
apenas uma outra forma de violência e a maior e mais agil divulgação
dos atos. Antigamente, acredito eu, o papel de moldar o ser humano e
de torná-lo “socializado” era desempenahdo pela família, a
religião e a escola. Hoje é pela mídia. As notícias entram na
nossa roda de conversa, compõe o nosso imaginário. O grande “Olho
de Deus”, hoje é o computador. Há pouco ouvi que os governos
estão vigiando as pessoas, pelo telefone, e-mais, sites de
relacioamento. Toda a ação que um indivíduo faz pode ser
rastreada. Por exemplo, se você foi ao restaurante tal e usou seu
cartão, depois colocou gasolina, foi a uma festa: tudo isso deixa
rastros. Se por acaso no meio tempo algo acontecer e você for
interrogado, é bom ter a memória boa e confessar logo pois o Padre
já vai estar sabendo da missa mais do que a metade. Aqui no nosso
país, uma garota de quinze anos matou a mãe e tentou ocultar o
cadáver. Só porque a mãe não aceitava o relacionamento com um
bandido, e tinha um plano de seguro de vida. O “namorado”
auxiliou no macabro plano. A filha de Michael Jackson tentou o
suicídio porque a mãe não permitiu que fosse a um show de rock,
pelo menos segundo as informações dadas pelos jornais. Parecem duas
histórias saídas da mitologia grega: pais que matam os filhos e
filhos que punem os pais atentando contra a própria vida. Essa é
uma parte da nossa atual realidade, mas que repete padrões antigos,
de antes da possibilidade da morte de Deus. Na falta de um inferno
para enviar os malfeitores foi construído um inferno aqui. Com
possibilidade de dor, de medo constante, de suspensão dos direitos
de ir e vir. Uma autoridade há alguns meses disse que preferia
morrer a ir parar num presídio. A menina que matou a mãe deve ficar
no inferno dos adolescentes no máximo três anos, pois tem quinze e
é considerada menor de idade, logo não pode ser presa. As mídias
poderiam ter explicado que o beneficiário de um seguro de vida não
pode matar o assegurado para por a mão na “bufunfa”,
provavelmente ela teria matado a mãe mesmo assim, mas sabendo que
seu ato não seria remunerado. Somado a todo este caldeirão, temos a
sombra da volta da inflação. O terrível monstro que por anos
dominou a nossa comunidade e assombrou pobre e ricos. Mais aos pobres
do que aos ricos. O país “teoricamente” parou de crescer. O
mundo “teoricamente” parou de crescer. As coisas não são
estáticas, os conceitos na sociedade vão e vem, os esteriótipos se
repetem de tempos em tempos. Precisamos com urgência de um gênio
da lâmpada que realize nossos desejos e diga: “O pós
capitalismo-socialismo-comunismo será assim:...” Com direito a uma
boa margem de erro e o direito de contestação. Pois a melhor
aquisão da atualidade é a possibilidade de divergir sobre qualquer
assunto. Enquanto essa liberdade for mantida, é possível modificar
a realidade. O ser humano continua se mantendo na linha através do
medo, um dia será por que é bom ser bom.
Fernanda Blaya Figueiró
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