Susto no "Bolsa"


Susto no “Bolsa”

No resto do mundo o que assusta são sobressaltos na bolsa de valores, aqui no Brasil foi no “bolsa família”, para quem não acompanha é um programa assistencial do governo. Fica uma pergunta e se! Se fosse verdade? A população está tão acostumada ao benefício que entraria realmente em pânico e convulsão social. Acho que o governo fez bem em criar o programa e em manter, mas não fez a outra parte que seria preparar a população para a emancipação, criando “bolsões de emprego” “bolsões de capacitação profissional” e de autonomia financeira. Já há algum tempo fico imaginando o que aconteceria se faltasse verba para manter o programa e de onde vem o dinheiro? Mas, quando se observa a enorme quantia de dinheiro envolvido na corrupção, a verba do “bolsa família”, “Brasil Carinhoso”, “SUS” que atende gratuitamente a população inteira e outros programas assistenciais não parece exagerada. Eu não tenho estes dados alguém deve certamente ter: quanto custa e de onde vem a verba para manter estes programas? Ou se eles tem um planejamento quanto a duração.Grotescamente olhando o abismo entre as classes sociais parece ter diminuído, ficando longe de erradicar a miséria, que seria a proposta dos programas. Os programas geram riqueza mas incentivam a informalidade, isso é sustentável a longo prazo? O retorno a calma deve servir de alerta: “Jornalismo é uma coisa, boataria é outra”. Um boato pode destruir a vida de uma pessoa, de uma família e derrubar um governo. A facilidade de informação não deveria ser usada para gerar o medo. Onze estado souberam, ao mesmo tempo, do boato. Muita gente correu para bancos, como ficaram sabendo tão rápido? Me chamou a atenção numa das imagens transmitida pela TV a raiva das pessoas, a revolta. Uma outra notícia informa que o índice de endividamento das famílias está enorme, numa economia baseada no consumo, como a que vivemos, isso é um “nó” que precisa ser desfeito. É preciso aprender com a experiência de outros países que já passaram por isso para não cair nos mesmos erros. Dá para crescer consumindo menos e economizando? Quanto as empresas que dão “crédito para negativado” elas tem como sobreviver? Ou viveremos uma “quebradeira de financeiras”? Sustentável! Palavrinha da moda, mas é isso nossa economia precisa se tornar sustentável. Com políticas públicas fortes (não confundir com totalitária), retomada da capacidade de compra das famílias, valorização do trabalho em todas as suas formas, valorização e eficiência do serviço público. Um PAC desempacado. Aqui na cidade que moro estamos insistindo em conseguir a adesão ao Sistema Nacional de Cultura, uma das reformas que a administração pública fez e vem sendo implantado acho que a dez anos. Já ouvi pessoas cultas, vividas, dizendo que não vai adiantar nada. Chega um momento em que a gente meio que desacredita nas coisas. Por exemplo dados estatísticos no Brasil parece que dançam conforme a música, como um emaranhado de coisas desconexas que levam a burocracia e facilitam as fraudes. Como se algumas ações fossem feitas para não dar certo. A ajuda às cidades que sofrem catástrofes, por exemplo, sai um dado que o governá destinou um valor “x” para o socorro das vítimas ou para a reconstrução das cidades. Mas pouco tempo depois o “x” virou -5 “x” ou se perdeu no meio do caminho e o socorro não chegou, só a nova tragédia. Ou um determinado Ministério vai investir tantos milhões em uma ação e o investimento não acontece, ou acontece parcialmente e toda a verba destinada perde o sentido. Achei preocupante esse episódio do Bolsa Família.

Fernanda Blaya Figueiró  

Comments