Não imagine
Toda revolução desperta
uma forte repressão
Como olharás para teu Deus
Com as mãos cobertas de sangue?
Quem instiga o ódio são
sempre os homens
Nenhum Deus quer
dor e sofrimento
A crueldade é uma coisa
humana
Vingativas bestas saltam
do videogame para o meio da rua
Criando uma distorcida
imagem do ser humano
O homem continua sendo
somente a corda
Que nunca rompe apenas se desloca
hora besta, hora além homem
Demônio e Deus habitam o mesmo
corpo alimentado
Pelas mentes que instigam a insanidade
e se escondem nas sobras
Quem criou a besta dorme
protegido em urbano teto
Calça bons sapatos, belas bolsas
tem luz, água, boa comida e bebida
farta
Pensa ser um Deus, imortal, inatingivel
Super-humano
A besta há de pagar sozinha pena
seu corpo foi preparado para isso
A corda esticada liga o umbigo de uma
ao do outro
Num constante transpassar de energia
porque escrever estes “versos”?
Porque só a poética permite
perceber este estéril movimento
Os poetas percebem o mundo de
Uma forma diferente
O mundo hoje é inteiro e urbano
o tabuleiro de hoje
Fica no meio do povo
o inimigo habita
Qualquer lugar, vive
em qualquer cidade
Deus virou apenas uma desculpa
esfarrapada
para criar guerras
Existente ou não
Nada tem a ver com isso
Tudo continua um velho tabuleiro
preto e branco
Fernanda Blaya Figueiró
Comments