Patrimônio Histórico é preciso mudar
a cultura com urgência
Aqui em Viamão estamos revisando
algumas leis e fico pensando em quanta coisa a cidade já perdeu, há
alguns anos escrevi um texto em homenagem ao poeta e músico popular Antônio Penai, ele tinha o hábito de ao meio dia tocar flauta do
alto da janela da antiga e extinta “Casa de Cultura” que
funcionava no Calçadão Tapir Rocha e abrigava a Secretaria de
Cultura. Lá por dois mil e sete a Casa de Cultura foi desativada, o
prédio precisava de reforma, principalmente no telhado. Na época
procuramos a administração para tentar preservar a fachada e os
ladrilhos, mas todo mundo dizia que nada podia ser feito por que não
havia uma lei de tombamento na cidade. Hoje sabemos que havia sim
esquecida não só uma lei específica e diretrizes na própria lei
orgânica do município. A janela que o seu Penai usava já não
existe, a madeira foi substituída por vidro temperado e acredito que
alumínio, a fachada foi pintada com o desenho das escolas, como se a
Educação marcasse seu território e mostrasse o quanto é mais
poderosa do que a Cultura, falamos sobre o livro do Inventário
Participativo e não adiantou, o prédio foi modificado e não
restaurado, pelo poder público... Agora há uma lei chamada
“Chanela da Cultura” que dispõe sobre a valorização do artista
local. Meio esquecida mesmo sendo bem mais recente, hoje passei pelo
centro e vi um local que conseguiu ser Tombado como Patrimônio
Histórico, a Rua ou Travessa dos Carreteiros, ao lado da Igreja
Nossa Senhora da Conceição, não há nada que sinalize que ali foi
um dia um lugar importante, nada que informe que aquela quadra toda é
Tombada e que é importante para a preservação da memória. Uma das
fachadas está quase caindo e nos fundos cresce um assustador e
provavelmente enorme edifício, provavelmente uma garagem com entrada
pela rua de trás. Quem fiscaliza isso? Quem pode ir até lá e
verificar se a construção é regular, licenciada, se os
proprietários sabem que tem nas mãos uma parte da história da
Cidade? Bem fica a pergunta será a lei ignorada neste caso também? O tempo passa e parece que as coisas se repentem e isso vai cansando a gente, vai tirando a energia. Quem será que lutou para que a rua dos carreteiros fosse tombada? Essas pessoas precisam ser ouvidas e alguém tem que dar seguimento pois tevem ter se cansado.
Fernanda Blaya Figueiró
A
Janela da Cultura
O flautista solitário, do alto, vê a rua e, aos seus olhos, a cidade se apresenta... Serena. A música atravessa ruas e esquinas, alcançando velhos e moços. Pacífica... Sem alarde.
Amor nas bancas, atritos nos bancos. Disputas acirradas nas contendas. E a música alheia atinge corações.
A paz vem da alma! Pulsa o coração da cidade, com ritmo manso e suave...!
Edificada na cultura e na história, a janela, de venezianas abertas, abre as portas do paraíso. Por alguns instantes, uma melodia entra nas frestas da dura realidade e a vida se refaz. Há Paz nesta hora...!
As horas correm e as batalhas retornam: o pão nosso de cada dia, a luz que tem de ser paga, a dor vencida. A nova vida que, no ventre, aguarda. O corpo cansado que, na missão cumprida, à terra retorna. Reciclado.
Uma cantiga de ninar, uma louvação. O amor na praça. Um beijo doce. Um abraço solidário.
A moeda corre no vinco do chão. De um lado a paz, do outro a guerra. Alegria e tristeza. Amor e ódio. Rico e pobre. Bom e mau.
A flauta mágica, no calor da melodia, funde a moeda e os lados somem. E essa pele fina que nos une e nos separa... Desaparece...! Pura energia!!!
Uma homenagem ao poeta e músico Antônio Penai
Fernanda Blaya Figueiró
O flautista solitário, do alto, vê a rua e, aos seus olhos, a cidade se apresenta... Serena. A música atravessa ruas e esquinas, alcançando velhos e moços. Pacífica... Sem alarde.
Amor nas bancas, atritos nos bancos. Disputas acirradas nas contendas. E a música alheia atinge corações.
A paz vem da alma! Pulsa o coração da cidade, com ritmo manso e suave...!
Edificada na cultura e na história, a janela, de venezianas abertas, abre as portas do paraíso. Por alguns instantes, uma melodia entra nas frestas da dura realidade e a vida se refaz. Há Paz nesta hora...!
As horas correm e as batalhas retornam: o pão nosso de cada dia, a luz que tem de ser paga, a dor vencida. A nova vida que, no ventre, aguarda. O corpo cansado que, na missão cumprida, à terra retorna. Reciclado.
Uma cantiga de ninar, uma louvação. O amor na praça. Um beijo doce. Um abraço solidário.
A moeda corre no vinco do chão. De um lado a paz, do outro a guerra. Alegria e tristeza. Amor e ódio. Rico e pobre. Bom e mau.
A flauta mágica, no calor da melodia, funde a moeda e os lados somem. E essa pele fina que nos une e nos separa... Desaparece...! Pura energia!!!
Uma homenagem ao poeta e músico Antônio Penai
Fernanda Blaya Figueiró
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