Acabou o problema das redações no Brasil


Acabou o problema de redações no Brasil

O MEC providenciou uma diretriz para solucionar o problema das famigeradas redações do ENEM,
o exame será mais rigoroso. Que bom assim a “classe média alta” não terá mais que ver seus filhos convivendo com a “classe média baixa”, os pais pagam verdadeiras fortunas para a formação dos filhos e corriam o risco de vê-los tendo que dividir o mesmo espaço, a educação particular, com “personas non gratas” que cometem erros,. Essa “gritaria” toda é muito compreensível a linguagem é uma forma de classificar as pessoas, acho que o “furo” desta polêmica é mais em baixo, tem mais coisa por trás desse assunto. No meu condomínio trabalhava um garoto de jardineiro, com muito esforço conseguiu concluir o segundo grau, prestou aprova do ENEM, foi agraciado pelo Prouni, trabalhou durante todo o curso de administração e se formou. Fico imaginando os obstáculos que teve que vencer para conviver com seus colegas, não soube mais notícias suas mas acho que hoje ele trabalha na área. Então, magicamente, todos os problemas de educação serão solucionados com um rigor maior no processo de seleção, usando uma metáfora podemos dizer que serão desligados os aparelhos que mantém doentes do SUS para abrir mais vagas para os pacientes que pagam convênio, segundo uma gíria o SUS-PLUS, enquanto os pacientes “ricos” são submetidos a um caríssimo prolongamento da vida. A palavra “assassinar” foi confundida com “raciocinar” pelos peritos da polícia em rede nacional.Acho que deveríamos trabalhar mais no conceito de educação continuada, o fim do ensino médio é uma etapa, o fim do curso superior outra, mas o profissional vai se aperfeiçoando ao longo da vida toda. Clarisse Lispector trabalha bem esse assunto numa cena em que a personagem “Macabéa” de “A hora de estrela” precisa digitar inúmeras vezes uma simples carta, tendo no supervisor um “professor”, então o problema é bem mais antigo do que se imagina. Os filhos da classe média alta não vão digitar cartas, nem memorandos, os das classes baixas encontram seus cinco minutos de fama num “atropelamento”. Além disso engana-se quem imagina que esse é um problema apenas brasileiro.

Fernanda Blaya Figueiró


Comments