Poema Símbolos

Símbolos

Havia, na minha cidade, uma
Senhorinha que sempre alimentava
Os cães de rua
Ontem ela não apareceu e eles ficaram
Na praça esperando 

Algumas existências, quando chegam ao fim,
Deixam um vazio.

Algumas pessoas, sob o escudo da razão,
Querem forçar os religiosos a ficarem confinados
Nos seus Templos

Querem dizer que alguns símbolos os ofendem
O que ganham com essa forçoso movimento de
Negação?

Todos os povos tem alguma forma de fé
Os ateus tem fé na não existência dele
Que beleza eles podem

Noutros tempos, já houveram
Estatuas de Déspotas
Ou muros de vergonha que
Precisaram ser derrubados

Uma cruz, um catador de sonhos, um tambor,
Uma corrente de bandeirinhas coloridas
Um penacho, um totem,um arco-íris,
Uma pirâmide, um retrato do Che
Um pôster de Einstein, um rosário
Uma estrela solitária, um candelabro de sete velas
Um véu de ali babá, um chá de ervas
Uma serpente, um tigre ou um dragão

Nada vale uma pequena guerra
Os cães do centro estão com fome e saudade de
Sua senhorinha e ela era tão quietinha
Com seus cabelos batendo na cintura, uma longa saia
Desbotada e uma oração impressa
Não do meu Deus, mas de um bom Deus
Meu gasto dólar dobrado na carteira
Tem símbolos e traz sim boa sorte
Para quem acredita

Fernanda Blaya Figueiró 

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