Liberdade de criação
artística
A liberdade é, para
mim,uma das coisas mais difíceis de entender. O que é “ser
livre”? Um pássaro que atravessa o mundo de uma ponta a outra é
livre ou é prisioneiro da migração? Sempre achei que o corpo é
uma prisão para a alma, que a liberdade é um “estado de ser”
abstrato e intangível. A vida humana é totalmente dependente de um
conjunto de ações do outro. Para uma pessoa comer é preciso que
tenha dinheiro, que alguém tenha produzido um alimento, alguém
tenha distribuído, alguém tenha comercializado e alguém tenha
transformado. Depois é preciso se livrar dos dejetos e sem essa
simples cadeia de eventos todos morreríamos de fome ou doenças.
Dentro desta estrutura alguns tem maior ou menor acesso do que os
outros a possibilidade de ter. Nós vivemos dentro deste sistema e de
tempos em tempos há pequenas mudanças estruturais, ou
sociopolíticas. Todos nós somos totalmente dependentes uns dos
outros e dependendo de como nos movemos na paisagem social temos
alguns privilégios.Nunca seremos totalmente independentes e livres.
Sou livre para ir e vir se tiver o valor do ticket ou se tiver
combustível para andar. No mundo da arte o meu limite não existe.
Não tenho certeza. Tudo é permitido dentro do espaço da criação
artística? Seria a única forma de expressão totalmente livre?
Livre inclusive da verdade? Conheço um Ser Biônico que tem inúmeros
braços e movimenta cada um num compasso próprio. Transita entre as
pessoas com senho franzido e por onde passa nasce todo o alimento da
alma humana, não distingue raça, cor, gênero ou condição social.
Alguns o acham medonho outros adorável. Não atende por nome algum,
não compartilha nada com o mundo, não segue lei alguma. Há quem
diga que é alado e eterno.Mas é preso ao meu pensar.De que
adiantaria então soltar no mundo um ser assim tão prisioneiro? Uma
mosquinha solta-se da teia de uma aranha, ganha uma perde a outra. A
mosca continua viva, até quando, a aranha sem alimento,
sobreviverá?A teia fica esquecida, até a chegada do pano. Mesmo que
ajam infinitas histórias acontecendo alguém vai querer saber do meu
ser biônico e seu alimento para a alma. Grande invenção essa da
alma, resolve bem o dilema. Não seria mais fácil entender do que se
é prisioneiro?Neste texto somos totalmente presos a energia
elétrica, sem ela nada neste texto existiria, pelo menos não nesse
tempo. Além disso essa construção, como já foi explicado, depende
totalmente da minha mente e a ela está vazia, ou não estaria
abordando tema tão sem sentido. A pergunta é sempre o que o texto
não diz? Está preso a um bloqueio temporário de imaginação e a
uma vontade de mascarar alguma coisa. O vento jogou folhas secas no
teclado. Que metido. A matéria-prima da imaginação é o mundo como
ele existe e algumas distorções que ele nos permite fazer. As
folhas secas moídas entre as palmas das minhas mãos viraram
farinha. Farinha de folha seca serve para alguma coisa?
Fernanda Blaya Figueiró
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