Crônica - Forinho 2013


Forinho 2013

Este ano participei do Forinho durante o turno da manhã e uma tarde, dividindo o Espaço da Poesia com o poeta Mario Pirata, que trabalhou com a gurizadinha no turno da tarde. Foram seis dias de muita atividade, com grupos de crianças e adolescentes, a minha atividade com eles foi baseada no Poema Terra Viva -Viva Terra, que escrevi no ano passado especialmente para o Forinho, este ano escrevi o “Astro Poeminha” que não funcionou muito, pois há muitas atividades e eles não tem concentração para uma atividade longa e um pouco também porque ainda não encontrei bem como trabalhar a ideia, quem sabe com o tempo encontro o tom. Durante esse tempo solicitei a eles que deixassem um recadinho, um pensamento ou um desejo para o Planeta ou para o futuro. Muita coisa bonita ficou escrita e compilei em um livrinho artesanal. Paz, amor, fim da violência, um planeta limpo, vários desejos desfilaram nas  folhas.Mas uma frase me chamou muito a atenção, de autoria de Richard, ele não escreveu a sua idade mas acredito que mais ou menos doze anos: “Não queria que ninguém fosse pobre!” Esse é um desejo de um menino alegre, de uma comunidade de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social. Ele não escreveu que quer ser rico ou que quer sair da pobreza. Escreveu que não queria que “ninguém fosse pobre”. Achei esse pensamento de uma generosidade e amplitude. Num mundo que muitas vezes é baseado na competição, na vitória sobre o outro, no egocentrismo, ter um pensamento assim autêntico e belo é muito bom. No sarau que participamos, na segunda-feira, perguntei as “meninas” qual era a sua motivação para enfrentar uma temperatura de 35º, as três horas de uma tarde de janeiro para ler. O que nos fazia estar ali, no Stand da saúde, que sentido tinha? Concluímos que se com nossa leitura conseguíssemos nos sentir melhor já estaríamos melhorando a nossa saúde e se conseguíssemos melhorar, através da palavra, a vida de uma criança, por alguns minutos, nossa atividade já teria sido vitoriosa. O Fórum Temático este ano se dispôs a pensar em Democracia, cidade e sustentabilidade – não recordo se nessa ordem. Então, mesmo que por vias tortas, acredito que refletimos sobre esse tema. Não acompanhei as discussões oficiais, ouvi alguns depoimentos truncados sobre o evento e sua identidade, sobre uma certa dificuldade de diálogo e de adesão, como se a Política Partidária estivesse permeando os grupos. Acho que é uma parte da construção de um evento: - O que é, nos dias de hoje, O Fórum Social Temático que acontece em Porto Alegre em janeiro? Tem ainda uma referência com o Fórum de Davos? É um espaço amplo, democrático, apartidário, aberto a todos os credos, a todas as formas de pensamentos do acadêmico, erudito ao popular? Tem “dono”? Eu passo pelo Fórum, mais pelo Forinho, mas não integro o evento. Apenas acompanho. Acho que para o bem das próximas edições seria bom que houvesse essa “catarse” para que as pessoas que fazem ou participam entendam melhor a sua natureza. Pelo pensar das crianças o desejo maior parece que é o de Paz. Paz e Amor!Lembra antigos movimentos...

Fernanda Blaya Figueiró 

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