Uma nova perspectiva
Acabou o calendário
Maia, aqui na minha Terra com uma renovadora chuva de verão, parece
que já há uma nova perspectiva de fim para dois mil e dezenove.
Esse fim do mundo foi dos “mais dez”, rendeu muito, deu o que
falar gerou literatura, música, cinema, pousadas, estoque de
mantimentos, piadas... Fica um certo sentimento de vazio, com esse
futuro imensurável pela frente. Mas também pode servir para uma
reflexão sobre viver um fato histórico. Para quem for pesquisar
sobre esse fato daqui a uma década por exemplo, pode ficar a
impressão de que todos nós estivemos envolvidos intensamente com
esse fato e que houve de fato pânico, muito medo, uma verdadeira
crença apocalíptica. Já nas crianças esse período ficará
marcado como uma ameaça real. Isso nos pode levar a rever a nossa
visão da História da Humanidade, será que os fatos foram realmente
como imaginamos? Os fatos não iriam se deformando com o tempo? Assim
como as personalidades da história, como seriam? Como os antigos
sentiam a possibilidade da eminência do fim e como nós sentimos?
Quanto de verdade e quanto de criação artística ou artificial
existe numa narrativa? Como será o mundo depois do dia em que não
acabou? Qual passo nos aguarda? A conquista da vida fora do útero da
terra? Tenho para mim que o Homem ainda não foi de fato até a lua,
mas que o fato histórico da ida a lua modificou o discurso das
autoridades e despertou para a necessidade do cuidado com a natureza.
Talvez uma tomada de consciência sobre a nossa fragilidade e a
impossibilidade de nossa sobrevivência fora da Terra. Dependemos
dela e ela não depende de nós. O leitor pode estar um pouco
enfadado e achando que esse texto é mais um monte de blablabla sobre
o extenuado assunto o fim do mundo, confesso que não ia escrever
nada, mas fui vencida pela vontade do texto de ser escrito. Não
sabemos nada, nem a quanto tempo estamos aqui e nem até quando
estaremos. Nosso conhecimento é construído assim, contado e
recontado. Vou dizer algo que pode parecer crueldade, mas não é, é
só uma reflexão. Essa semana ouvi uma notícia sobre um casal que
conseguiu escolher entre doze embriões seus, dois saudáveis e
tiveram um lindo bebê, o outro embrião implantado não sobreviveu e
os outros dez? Imediatamente pensei o ideal nazista foi repaginado.
Os médicos diziam que precisamos vencer alguns Tabus e permitir
maiores manipulações genéticas. Vamos assim novamente brigar com a
natureza. Vamos chegar a uma humanidade pura. Pura de pulga. Não
vamos mais transmitir geneticamente algumas doenças, depois serão
algumas características físicas, de personalidade. A natureza irá
criar novas doenças, novas personalidades, novos problemas. Isso irá
evitar muito sofrimento afirmam os cientistas, tenho minhas dúvidas
sobre isso. Estamos acostumados a pensar que gera sofrimento o pobre,
o desvalido, o doente, o bandido,o desajustado. Os maiores
sofrimentos deste ano foram provocados pela fúria da natureza, que
sempre existiu.Por “pessoas sobre pressão” quantas explosões de
homens bomba ocorreram, quantos massacres? Sandy furacão, Sandy
local de Infanticídio. Vamos colocar nossas vidas em
perspectiva.Talvez um jovem brincando e rindo numa aldeia pobre de alguma parte do mundo seja mais feliz do que o jovem que
morava num belo bairro americano e que se “suicidou” levando com
ele outras vidas, como fazem os jovens que servem ao tráfico ou a
grupos fundamentalistas. A tragédia é a mesma. Abram os olhos
amigos, estamos aqui no período histórico em que o ser humano está
se transformando geneticamente,artificialmente. Precisamos pensar
sobre isso. Precisamos nos adaptar a isso. Precisamos contar essas
histórias, sob um grande prisma. Não é mais ficção, é
realidade. Outro dia soube de um local no México em que são
armazenadas diversas sementes de milho e outros grãos, com a
intenção de preservar as espécies. Na ficção científica existe
já imagens de seres humanos entubados, ou conservados no gelo. Acho
que em breve isso será verdade.Vinte e um de dezembro de dois mil e
doze foi um dia qualquer e ao mesmo tempo foi um dia surpreendente.
Querendo ou não, iminente ou não o fim esteve em pauta. O mundo não
será mais o mesmo depois de hoje.
Fernanda Blaya Figueiró
PS: Escrevi este texto
no meio da tarde, quando fui publicar o computador trancou... Essa
maquininha tem coisa de quinze dias. Buenas, tentei tudo ligar
novamente, tirei o plug da tomada, nem precisava pois tinha bateria,
control + alt.+del nada, esc, nada... Liguei para minha filha e ela
disse_ Calma, não é o fim do mundo ( Será?) . Desliga tudo e
quando eu chegar eu resolvo... A máquina mortinha da Silva. Como é
longe Uruguaiana! - O fim do dia chegando , eu com o texto pronto e a
máquina paradinha da Silva. Fui fazer outras coisas e minha filha
chegou apertou quinze segundos o botão e eis que? O bichinho
reviveu... Quinze segundo o trem leva para responder, quem diria???
Comments