Poema - Não me oponho, Maria!


Não me oponho, Maria!

Eram todos vivos os que em tua volta estavam?
Encontrei hoje, na praça, uma mulher que
Verdadeiramente falava aparentemente sozinha.

Muito magra, usava uma camisa branca com duas pequenas
Manchas de sangue
A praça não se opõe a sua presença e muito menos eu

“ Se tu não gosta de mim... não deveria estar aqui!'
Quem? Logo percebi que havia uma multidão
Ao seu redor. “Nenhum de vocês”

Ela travava uma batalha interna e externa

Você tem certeza?
De que tudo isso realmente existe?
Quem é essa pessoa? Ou Quem foi?

E a moça de uniforme? Existia?

Acho que a pessoa mais lúcida da praça era ela
As pessoa que tem muita, mas muita certeza de suas verdades
Perdem a capacidade de transformar e entender
São prisioneiras de seus conflitos tanto quanto ela

As pessoa de quem ela falava não estavam e ao mesmo
Tempo estavam ali

Não existiam e existiam ou existiram
Assim como o seu drama

E não é porque eu
Digo que existe uma mulher ou
Que eu negue: não essa mulher não existe
Que ela há de existir ou extinguir.
A mesma coisa acontece com deuses e homens
Adoro deidades e humanidades são tão incríveis

O que faziam ali atazanando a coitada
Toda aquela gente
Que não gostava dela?
Deixei ela lá na companhia de seus demônios.
A praça ficou quieta ouvindo, que fofoqueira.

Fernanda Blaya Figueiró






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