Modismo ou excesso de
policiamento linguístico?
Não consigo entendo o
que está acontecendo com alguns segmentos no Brasil, ontem a
presidente Dilma foi vaiada por usar o termo “portadores de
deficiência física”, que eu saiba esse era o “Termo
Politicamente Correto”. Pesquisei na rede e constatei que existe
essa expressão. Para quem escreve e fala no Brasil o excesso de
“policiamento” corre o risco de criar uma “paranoia
linguística”. Não sei quem cria e recria esses termos da moda,
mas algumas discussões ficam restritas a um meio tão pequeno e tão
excludente que se tornam alienadas do resto da sociedade. Já na
contracultura as mulheres viram “cachorras”, os bandidos “os
caras”... Acho que estamos precisando de equilíbrio
em vários aspectos.
Quem sabe uma cartilha da evolução dos termos e dos motivos que
levaram as modificações não ajudem as pessoas comuns e também
nossa chefe maior a entender esses novos termos. O que deve e o que
não deve ser dito? Da minha parte, como escritora não gosto desta
discriminação e do preconceito que algumas palavras estão
ganhando, o brasileiro sempre primou pela liberdade de expressão
pelas diferenças regionais e pela criatividade na linguagem. A
presidente tem que garantir a melhoria no acesso, o direito de ir e
vir de todos os cidadãos, trabalhar para que haja uma melhoria nos
serviços públicos ou privados,um transporte eficiente, saúde,
educação, cultura, segurança, cidadania para todos os brasileiros.
Sou contra o excesso de puritanismo linguístico, pois acredito que
possa levar a relacionamentos falsos. Todos precisamos ser
respeitados, sim. Mas sem cair na falsa ideia de que proibir o uso de
alguns termos vai acabar com a discriminação ou com o preconceito,
na minha opinião pode levar a um alienamento e afastamento ou
segregação de grupos. Se eu tiver medo de uma palavra não vou mais
usá-la e o grupo ou ser que a ela estiver ligado vai desaparecer do
meu foco, do meu universo. Não será parte da minha vida, não será
um assunto meu. Eu preferiria ter mais liberdade de expressão
inclusive entendendo melhor o que levou as pessoas a abominarem um
termo e elegerem, momentaneamente, outro. Quanto a vaiar é uma
expressão legitima e também acredito que deve continuar existindo.
Assim como é legitimo a presidente se desculpar, agora os que
vaiaram devem refletir na vaia e os que foram vaiados também. Em
pouco tempo, se as coisas continuam assim, a literatura brasileira
vai empobrecer e a linguagem também, porque as possibilidades de uso
da palavra vou ser tolhidas. Nomes, características,
particularidades de personagens e de tramas vão desaparecer.Não
teremos mais rosto,só uma máscara facial indefinida, perderemos
nossa bela diversidade, seremos o que usa tal marca, o que come tal
produto, o que está com tal perfume, maquiagem,tipo de cabelo,
dentro de tal veículo . Exagero? Talvez.
Um exemplo de notícia
do futuro: pessoa da melhor idade, usando uma bolsa de fibra
sintética, importada da china, atravessava a avenida fora da faixa
de segurança. Quando uma pessoa jovem que circulava em sua
bicicleta defasada, ou seja sem a manutenção adequada dos freios,
colidiu no poste e sua placa de identificação ao se soltar atingiu
a bolsa da outra, que devido ao calor do impacto teve escoriações
no braço. Ambos foram conduzidos a uma delegacia de polícia para a
autuação... A autoridade policial( talvez delegado caia em desuso)
deverá buscar informações sobre a procedência da bolsa, a
situação legal da bicicleta e as infrações cometidas por ambas as
pessoas. A Presidente optou pela prerrogativa de poder ficar em
silêncio, já que devido a gravidade do ocorrido... Em outra
localidade 80 pessoas foram vítimas de uma mesma execução, fato
antigamente chamado de “chacina” , o gabinete optou também pelo
silêncio.
Fernanda Blaya Figueiró
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