Crônica uma prece


Uma prece!


Hoje teremos aqui em Viamão a IV edição do Cartão Vivo de Natal, uma evento comemorativo organizado pelo Fórum Permanente de Cultura de Viamão, composto por artistas locais. Há pouco assisti na televisão belas imagens da Avenida Paulista enfeitada para o Natal, que bom, nem tudo lá está perdido. Nós vivemos dizendo que a verdadeira arte não tem uma função, um sentido ou não serve para nada, mas esse “não servir” transforma o mundo. Todos estamos de Luto pelo infanticídio ocorrido nos EUA e tentamos entender uma ação tão absurda. Rezo para que as famílias encontrem a Paz, no meio de tanto horror. Que lembrem de seus filhos sorrindo e brincando, pois acredito que foi assim que chegaram lá no céu. Pelo jovem agressor tenho um sentimento de pena, o que teria acontecido de tão horrível a ele que o levou a agir assim? Nunca saberemos. Talvez tenha sido iludido pela ideia de Fim do Mundo e tenha perdido a esperança. Mas, a verdade é que agiu como um ser do mal, tomado por um ódio irracional. Vamos para a praça com o coração apertado, a vida continua. O mundo continua com todas as suas incógnitas. O evento que aconteceu lá poderia ter acontecido em qualquer lugar. A arma de destruição poderia ser de fogo ou branca. Poderia ser uma pedra, um porrete... As vezes tenho a impressão de que no fundo uma parte de nós ainda está nas cavernas. E que o infortúnio pode nos alcançar a qualquer momento. Desejo a toda aquela comunidade que não perca a fé na humanidade, que consiga se reerguer e caminhar novamente. É preciso continuar acreditando na bondade do homem e na possível existência de Deus.Louco ou malvado? No último fim de semana ouvi a seguinte historinha: dois meninos brincavam com um videogame e um torcia pela derrota dos inimigos o outro olhou e exclamou: - Que jogo é esse? Não se faz isso com as pessoas!Não acho que um seja um menino mal e o outro um menino bom, mas nos dias de hoje os jogos e as mídias interferem na educação das crianças. Por um lado estamos superprotegendo as crianças e do sobrecarregando de informações. Meus filhos já são adultos, logo não sou diretamente responsável pela educação de ninguém no momento. Acredito que a palavra que mais precisa ser entendida é a que simboliza a justiça, o equilíbrio no fiel da balança. Nossos filhos, para sobreviver nas cavernas de hoje, precisam ser competitivos, mas não muito; responsáveis, na medida certa; inteligentes, mas com respeito a capacidade intelectual do outro; atléticos, mas respeitando a limitação física do outro; rebeldes, mas dentro de um limite; livres, com consciência da suas decisões. Claro que esse seria o ideia e vivemos muito longe dele, pois nós temos também pensamentos mesquinhos, ideias e ações imaturas... lembro que quando estudei pedagogia uma das questões mais delicadas de definir era o limite entre ser autoridade e ser autoritário. Hoje acho que o fiel da balança pendeu para a permissão ser “durão” ou ser permissivo? Eu acredito em Deus, mesmo sabendo que ele pode não existir, respeito aqueles que não acreditam, eles podem ter razão. Assim como acredito que o Mundo pode melhorar e que um dia ele vai realmente acabar. Até lá vamos dividir esse pequeno planeta e testemunhar coisas boas e ruins. Chorar pelas ruins e sorrir pelas boas. Um bom fim de semana par todos nós

Fernanda Blaya Figueiró

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