Uma história
Procurava uma história
e encontrei outra e no fundo a mesma. Ando um pouco curiosa sobre o
papel do espectador na escolha dos repertórios, seja na dramaturgia,
na música, nas artes visuais, na literatura, na moda, na gastronomia
e por aí vai... O leitor cria junto a literatura, na hora em que
para e foca. Na hora em que lê e comenta, se indigna ou adora. Assim
a obra é multifacetada e toda a obra pode ser escrita, pois em algum
momento acaba reinventada. Quem escreve cria um personagem: “o
escritor” o “poeta”, assim como “o leitor”. Eu decidi hoje
não falar sobre um determinado assunto, só que o assunto acaba
entrando na escrita, acaba se intrometendo. Então mesmo que eu
“escritora” busque mascarar o assunto ele “assunto” se impõe
no meu foco. Todos os poemas que eu leio são demasiado pesados.
Todas as melodias que eu ouço são cheias de drama, os filmes que
assisto são cheios de contraditórios. A não ser que eu mude o
foco. E as vezes eu mudo. Todo o escritor conta sempre a mesma coisa,
isso não é novidade. A gente diz que os velhos falam sempre a mesma
coisa, mas não são só “eles”. O assunto é o seguinte: “quanto
nós realmente conhecemos sobre o mundo que nos rodeia? Calma! Só do
nosso micro cosmos, não tem nada a ver com Deus, nem com nossa
origem. Só o que nos rodeia.
Fernanda Blaya Figueiró
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