O
Dilema de Fausto
Fui
assistir ao impressionante Fausto o personagem criado para o Teatro
caiu perfeitamente na Telona. Os primeiros minutos mostram a autópsia
de um corpo em decomposição, revolta o estômago. Muito diferente
dos episódios de Dr. G e outros programas que abordam o dia-a-dia
dos médicos legistas. A imagem da decomposição fica gravada e aos
poucos o próprio Fausto vai se desfazendo diante do olhar do
espectador. A forma como é dominado pelas forças demoníacas e a
sua falta de consciência do lodo em que vai afundando percorrem toda
a trama. O idioma Alemão, tão pouco comum ao
nosso ouvido parece tornar o filme mais obscuro. Mefistófeles um
assustador, porém sedutor, demônio joga com a vaidade do
protagonista e a realidade vai sendo aos poucos distorcida. Bem, mal,
certo, errado. Existe Deus, não existe? Existe o Demônio ou não? A
vida segue após a morte? Onde fica a alma? Ludibriado pelo demônio
Fausto comete todos os pecados mata, rouba, cobiça as mulheres
alheias, mente, come... Em determinado momento o demônio aguarda em
uma rua sombria, convida Fausto para num obscuro passeio pela miséria
e de fraque e cartola leva a trama ao momento derradeiro da
assinatura do contrato. O personagem troca a própria alma por uma
noite de prazer. Não há mais retorno! A decida é rápida e
degradante. Nem cicuta adianta mais. O personagem preso ao desespero
rasga o contrato e apedreja o demônio, mas está eternamente preso
num deserto de vozes do passado. O filme é maravilhoso e caiu para
mim como uma luva. Elevei minha alma ao me dar conta que tudo sempre
se repete. “Acabou! Como se nunca houvesse acontecido!” diz o
personagem querendo decretar aquilo que não lhe pertencia mais o
direito de escolher. Foi além do Livre Arbítrio e pagou sua pena. A
degradação da alma é tão chocante quanto a do corpo. Que
belíssima metáfora. As vezes só a arte para nos libertar.
Fernanda
Blaya Figueiró
1 de
setembro de 2012
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