Crônica - Ovelha não é para mato


Ovelhas não é para mato!!!


Diz o velho ditado gaúcho que ovelha não é para mato, pois lá tem graxains, lobos, cachorros, jaguatiricas, todos grandes apreciadores de uma gorda costelinha de ovelha. Então o jeito é criar na beira das casas, perto do galpão, no capão cercado e protegido pelo pastor. Só que quando bate a fome pastor e lobo se tornam muito parecidos e lá vai o “Cordeiro de Deus” para o abatedor seja pra saciar a fome do pastor, do lobo ou do banco. Pois usando essa metáfora podemos dizer que a Política não é para qualquer um. Cordeiro nenhum sobrevive neste mato fechado. Descobrir quem é lobo, quem é pastor e a hora de abrir o berro é a grande questão. Uma coisa é muito verdadeira o destino de todos é o mesmo, com uma leve diferença de tempo. Sempre evitei me envolver diretamente nas questões políticas, como muita gente tem preferido, por desgosto, por achar que não faz diferença. Só que agora acredito que faça toda a diferença. Os partidos políticos, como todo organismo social, tem um ciclo de vida, acho que por isso alguns partidos que começam bem vão tomando rumos obscuros, trilham matos fechados e acabam lanhados. Quantos partidos existem hoje no Brasil? Quais as ideologias que representam? Esses dias falando com uma amiga comentei que não encontro mais uma identidade nos atuais partidos e ela me disse: - Então crie o teu. Achei muito radical e exagerada a ideia e acho que esse pensamento tem permeado muitas organizações. São criados novos partidos de correntes diferentes de um único, além dos partidos serem altamente fragmentados. Quem elogia A está contra B, que se alia a C e combate A . Isso parece o corriqueiro das instituições. Só que mesmo com todos estes fragmentos parece que não há mais uma verdadeira oposição de ideia, só uma retalhação entre segmentos. Só os lobos sobrevivem, mas é preciso lembrar que andam em matilhas. Acho que a Democracia Brasileira precisa amadurecer, precisa voltar a aceitar a oposição de ideias, de pensamentos, para voltar ao diálogo e a construção de uma sociedade melhor. Se sobrar apenas uma opção mascarada por diferentes siglas estaremos caminhando para uma sociedade “totalitarista” ou uma “pseudo-democracia”. Que autoridade tenho para falar sobre isso? Nenhuma, só a autoridade de ser cidadã brasileira. Não é preciso criar novos partidos para mudar o cenário político, na minha opinião, é preciso apertar o cinto e questionar os atuais partidos. Apertando a fiscalização social podemos diminuir o espaço para promessas não cumpridas, administração ineficiente, corrupção. Acho que a condenação dos protagonistas do “Mensalão” será muito didática para a construção de uma nova relação política, uma nova forma de entender e fazer política. Tenho tentado acompanhar os votos dos ministros, que são extremamente técnicos e difíceis para o espectador comum. Mas talvez, no final disso tudo, algum estudioso consiga “digerir” esse angu e tornar mais palatável, ou mais simples de entender. Como o cidadão comum, que não é nenhuma autoridade, pode auxiliar nessa transformação da realidade? Pensem comigo, se o Brasil, que amanhã comemora sua independência, não seria muito mais forte e altivo se todo o dinheiro que foi gasto com corrupção fosse empregado em melhorias na qualidade de vida de todos. Se as obras dos planos de desenvolvimento do governo fossem bem administrada muito do caos urbano já poderia ter sido solucionado. Ir trabalhar de metrô e não de carro, por exemplo, diminuiria muito o estresse das grandes cidades. Criar boas vagas de emprego em cidades menores fixaria no interior pessoas que hoje vivem em condições precárias nos grandes centros urbanos. Não pretendo criar um novo partido ou ingressar nos que existem, mas tenho sim o direito de pensar sobre a realidade e escrever sobre ela. Essa escrita pode ser considerada “crônicas do cotidiano” ou “Devaneios de uma dona de casa”, ou “ A culpa é da: Dona Fernanda!!!!” “Loucuras de uma poetisa suburbana”... Tem tanto nome para dar, basta ter criatividade. Quanto a política, quando eu crescer e for lobo talvez um dia chegue mais perto. Com meu índice de massa corporal não chegaria nem perto do mato. Desisti a muitos anos de fazer dieta, viu no que dá!!!

Fernanda Blaya Figueiró 

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